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Tenda dos Saberes Indígenas amplia a visibilidade da cultura dos índios durante FIB

Trinta e três índios participam da Tenda do Saberes Indígenas que tem sido um dos estandes mais procurados no FIB. Foto: Eduardo Medeiros

   

Bonito (MS) – O Festival de Inverno de Bonito (FIB) dentro de sua pluralidade e diversidade cultural também dá visibilidade à cultura indígena. Pela terceira vez estão representadas no FIB as etnias Atkun, Kinikinau, Ofaiê, Guarani Ñnahdeva, Guarani Kaiowa, Terena, Guato na Tenda dos Saberes Indígenas instalada na Praça da Liberdade.

Trinta e três índios, em sua maioria mulheres artesãs participam do estande. Nele os visitantes podem encontrar diversos artigos como colares, pulseiras, cerâmica, bolsas, jarros, até pasta de notebook. A matéria prima é diversa, sendo utilizada argila, penas, bambu, folha d’água, uma espécie de palma, dentre outras.

Ao ser entrevistada, dona Zeferina Ferreira, de 84 anos, da Aldeia Brilhante, da etnia Kinikinau não titubeou ao responder que morava na “mãe terra”, quando questionada a respeito da localidade de sua moradia. Aprendeu a trabalhar com artesanato com sua mãe aos dez anos de idade. Ela trabalha com cerâmica.  “Passo o dia inteiro fazendo meus artesanatos, me sinto feliz”, diz convicta e com ar sereno.

Cultura do artesanato indígena passada de mãe para filha. Foto: Ricardo Gomes

Já Genoveva Flores, 54 anos, é filha de dona Zeferina e disse que sua etnia trouxe cerca de 300 artesanatos para serem vendidos durante o FIB. “A gente está feliz com a oportunidade de poder vender nosso artesanato e pagar as contas”. Conta que no ano passado vendeu R$ 500,00, esse ano quer superar esse valor, pois são poucas as oportunidades que tem de participar de eventos como esse.

 

Outra artesã indígena, Catarina Ramos, de 68 anos, disse ter começado a trabalhar com artesanato em 1964. Já trabalhou de cozinheira numa das vezes que se mudou para Campo Grande, mas gosta mesmo é de artesanato. Já há algum tempo manipula águas-pés, uma espécie de palmeira. Ela faz todo o processo, mas diz que o mais difícil é colher e secar a planta para depois transformá-la em diversos artigos, com um capricho sem igual. Chinelos, tapetes, bolsas, carteiras, pasta para notebook, até roupa ela diz confeccionar. “Há algum tempo conseguia viver só do artesanato, hoje com a crise está mais difícil” É a segunda vez que ela participa do FIB, “é uma oportunidade de renda extra”, diz Ramos.

Foto: Ricardo Gomes

Para Sérgio Martins, de Barretos-SP, foi uma experiência única, já que segundo ele nunca tinha visto um índio de perto, “nunca tinha tido essa oportunidade de vê-los de perto, nem do artesanato que fazem”.

Sérgio Martins  de  Barretos – SP nunca tinha visto um índio de perto. Foto: Ricardo Gomes

Já o casal de bonitenses Jociane Brito, 25, vendedora e Wilson Trelha, vigilante, 30, estão contentes com a presença do FIB na cidade e diz ser importante a participação dos índios, “é bom que se preserve a memória deles”, disse Jociane. Já Trelha enfatiza esse encontro de culturas que o FIB proporciona, “a gente já está acostumado com eles por aqui, mas quem vem de fora não tem essa experiência, e tem uma ideia errada dos índios. Sim, eles trabalham, caçam e fazem seu artesanato”, enfatiza Trelha.

Para a subsecretária de Políticas Indígenas a participação indígena  fortalece a cultura de seu povo, “quando elas vem ao Festival,elas são protagonistas de sua própria história”, enfatiza Dias, que ainda completa, “aqui elas têm a oportunidade de vender seu artesanato sem atravessadores”

A Tenda dos Saberes Indígenas ficará aberta aos visitantes até domingo (30.07) das 9h às 22h.