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Semana do Arquivo Público acontece em Campo Grande com foco em arquivos públicos e digitais

  • 18 out 2016
  • Categorias:Geral
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Renato Roscoe secretário da Sectei quer continuar preservando e pretende ampliar o Arquivo Público de MS.

Campo Grande (MS) – Começou hoje e vai até 21/10 a 4º Semana do Arquivo Público. A abertura aconteceu na manhã desta terça-feira (18/10) no auditório do MIS. O evento contou com a presença do secretário de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação (Sectei), Renato Roscoe,  da presidente da Fundação de Cultura do Estado (FCMS),Andréa Freire, do Gerente de Patrimônio Caciano Lima e da coordenadora do Arquivo Público Estadual,Áurea Coeli, bem como de professores, acadêmicos, historiadores e comunidade.

Na abertura o secretário da Sectei, Renato Roscoe, parabenizou a organização e ressaltou que o Arquivo Público é uma unidade importante da Sectei e FCMS, “Queremos preservá-la e ampliá-la. Estamos sempre renovando essa discussão, fundamental para organizar nossas ações. Estamos num momento de preparação dos 40 anos de Mato Grosso do Sul. Tem uma série de ações que vamos trazer e o arquivo é fundamental para isso. A gente se orgulha desse Estado maravilhoso. Já convido a todos para que pensem nessa possibilidade de trazer ao público registros históricos”, destacou Roscoe que ainda falou do importante apoio que o governador Reinaldo dispensa ao arquivo público, “Ele vai estar aqui amanhã para a abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e vai passar aqui para apreciar a exposição”. “Nasce um novo Estado-1977-1979”, em homenagem à criação de Mato Grosso do Sul, foi inaugurada durante o evento e ficará aberta à visitação entre os dias 18 e 31 de outubro, das 8h às 17h, na sala Maria da Glória Sá Rosa do MIS.

A professora doutora Dilza Porto Gonçalves ministrou a palestra, “A instrução pública, a educação da mulher e a formação de professores nos jornais partidários de Porto Alegre 1869/1937 – Uma experiência em arquivo”, o tema foi sua tese de doutorado apresentado na PUC do Rio Grande do Sul.

A pesquisa analisou jornais da época tomando como base a Escola Normal/General Flores da Cunha a partir dos jornais; A Reforma, A Federação e o Conservador com mais de 140 anos em arquivos físicos e digitais, no Museu da Comunicação Hipólito José da Costa e da Biblioteca Nacional, bem como do Memorial da Assembleia Legislativa do RS. A pesquisa foi realizada de 2008 a 2013 e avaliou quase dois mil textos. Para a pesquisadora, arquivos físicos têm suas vantagens e desvantagens, mas o arquivo digital pode ser mais conveniente, mas que também tem suas dificuldades.

Na pesquisa constatou-se que todos os jornais pertenciam a um determinado partido político; partido liberal, partido conservador e partido republicano, os redatores desses jornais tinham intensa vida política, bem como formação para redigirem as respectivas publicações. O período da pesquisa acontece na transição da monarquia para a república.

A educação da mulher sempre foi tratada com parcimônia por esses periódicos, todos defendiam a instrução feminina, mas em profissões em que fossem cuidadoras, ou seja, pedagogia e enfermagem. O pensamento da época é que o sexo feminino tinha que ser boa mulher e esposa. Mesmo quando eram contratadas como professoras tinham que deixar o magistério se tornassem mães.

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Exposiçao “Nasce um novo Estado-1977-1979”, em homenagem à criação de Mato Grosso do Sul fica aberta a visitação até 31/10.

Só em 1872 era que se ventilava a idéia de trabalho feminino por ser mão de obra barata. Já a participação política da mulher era assunto pouco discutido, já que para a época a mulher não tinha esse direito. Porém, a professora Ana Aurora do Amaral Lisboa foi uma das pioneiras a exercer a política. Morava em Rio Pardo, um cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul, e foi uma mulher a frente do seu tempo. Na época, brigava com o então governador do estado Julio de Castilhos, nas quais muitas vezes publicava suas indignações nos jornais. Chegou a fundar uma escola, nas quais negros e brancos sentavam lado a lado, o que não era tolerado naquela época.

Dilza Porto Gonçalves que está a dois anos morando em Mato Grosso do Sul, diz que há muito que pesquisar aqui no Estado, inclusive na área da educação, ao falar sobre o magistério disse com convicção, “toda vez que alguém diz para mim que professor é dom, eu rebato e digo que é formação”. Para ela, o magistério não é vocação, mas uma formação que se dá ao longo dos anos.

Agora a tarde será ministrada a oficina Oficina: Preservação,  Conservação e Restauro em Papel.  Confira aqui a programação do evento que segue até a próxima sexta-feira (21/10)