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Boca de Cena: Rica em complexidade e ironia, peça “A Cartomante” traz releitura idêntica ao clássico de Machado de Assis

  • 17 abr 2016
  • Categorias:Geral

Homenagear e reproduzir clássicos da literatura brasileira através do teatro nunca foi tarefa fácil, especialmente quando se tratar do estilo irônico e recheado de elementos narrativos como o de Machado de Assis. Mas é justamente o resultado desse desafio que a Cia Maria Mole, de Corumbá, vai mostrar ao público da Boca de Cena – Mostra Sul-Mato-Grossense de Teatro e Circo 2016, no dia 23 de abril (sábado), com a peça “A Cartomante”. O local escolhido para a exibição é uma antiga casa da Rua 15 de Novembro, nº 215, quase esquina com a Rua Calógeras, em Campo Grande.

A peça respeita inteiramente o conto, desde a ordem dos acontecimentos até as falas originais dos personagens. A diretora do grupo, Bianca Machado, explica: “Nossa atuação é praticamente o livro na íntegra, em respeito ao legado de que Machado de Assis nos deixou, tivemos todo o cuidado de não mudar nada da história, até mesmo a narrativa carrega o texto original, é uma literatura no teatro”.

Criada em Corumbá, cidade natal da Cia Maria Mole, a primeira montagem do grupo foi no ano de 2007. Desde então a peça apresentou algumas alterações e uma remontagem foi feita em 2010, com mudanças no elenco. Será a primeira vez que a Maria Mole vai apresentar este trabalho fora de casa. Uma das principais exibições foi no Festival América do Sul, há aproximadamente quatro anos. Agora, neste sábado, eles carregam o peso de representar o teatro corumbaense durante a Mostra Sul-Mato-Grossense de Teatro e Circo. “Estamos muito ansiosos para apresentar nosso trabalho na Capital, trabalhamos nesta peça há anos e será uma honra interpretá-la neste grande encontro. Será a primeira vez que farei a personagem Rita”, contou a diretora Bianca, que também é atriz durante a peça.

Sobre o local escolhido para a encenação, Bianca explica: “Disseram que é a antiga casa de Vespasiano Barbosa Martins, fica bem no centro de Campo Grande. Tem que ser uma casa, um local de moradia. O cenário? A Cartomante não tem cenário. É uma janela, que é a casa dela. É somente o que precisamos para ampliar a realidade e envolver o público na história, afinal, quem já leu o clássico já sabe o que acontece no fim”, lembrou.

A diretora: Ela começou a fazer teatro aos 11 anos de idade e desde então nunca parou. Há 20 anos criou a Cia Maria Mole, onde dirige, atua e ajuda em todo o resto. Já trabalhou como gerente de fábrica, foi vendedora, enfermeira e outras dezenas de atividades, mas, segundo ela, nunca deixou o teatro. O tempo foi passando e só depois de muita experiência, Bianca Machado – a acriana mais sul-mato-grossense que reside em terras pantaneiras – descobriu que era possível unir negócios e arte em um só caminho. “Sempre vivi lado a lado com o teatro, mas ele não me mantinha, por isso fazia outras coisas simultaneamente. Foi quando descobri que é possível ser empreendedora sem deixar de viver a arte. Hoje em dia é assim, você mesmo tem que ir atrás do empreendedorismo da sua arte. E passei a me profissionalizar, dividindo tarefas, sem deixar a minha autonomia enquanto artista”, narrou.

O conto: Com seu estilo um tanto pessimista de ver a vida, Machado de Assis remete verdadeira crítica aos padrões de comportamentos da sociedade, principalmente em uma época onde os costumes conservadores (como o medo de ter a moral ferida) eram ainda mais exaltados do que os de hoje.
A história se passa no ano de 1869 com os personagens Vilela, homem de 29 anos com porte mais maduro, Rita, sua esposa de 30 anos, verdadeira dama perfeita e afetuosa, Camilo, um funcionário público ingênuo de 26 anos, amigo de infância de Vilela, e a mulher que dá título ao romance: a enganadora cartomante, uma italiana morena e magra de 40 anos.

Depois de reencontrar o amigo de longa data, o inocente Camilo se apaixona pela esposa de Vilela, mesmo tentando negar os seus desejos. Depois de algum tempo desfrutando o sabor proibido da mulher alheia, ele recebe uma carta anônima revelando a descoberta do caso, e passa a fugir de Rita. Desesperada, ela pede ajuda a cartomante, temendo perder seu amante. Mas a cartomante dizia somente o que os outros queriam ouvir, mentindo e enganando os personagens descaradamente.

Um belo dia, Camilo recebe uma carta de seu amigo Vilela, solicitando um encontro urgente entre os dois. Preocupado, Camilo consulta a cartomante e assim como fez com Rita, ela também o engana. Quando chega a casa de Vilela, algo terrível acontece. Mas se por algum surpreendente e injustificável motivo o caro leitor ainda não conhece um dos mais importantes clássicos da nossa literatura, não será nesta reportagem que saberá o final: A Boca de Cena – Mostra Sul-Mato-Grossense de Teatro e Circo 2016, reservou o último dia de espetáculos (23) para a exibição da peça com a história na íntegra. Não perca!

Leia mais sobre a Boca de Cena e acompanhe a programação

Texto: Alexander Onça – Sectei
Fotos: Divulgação do grupo

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