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Público demonstra respeito por filmes nacionais na abertura da Mostra de Cinema Brasileiro no MIS

Campo Grande (MS) – Em uma atmosfera de amor e respeito pela produção audiovisual nacional, foi aberta na noite desta segunda-feira (17.06), no Museu da Imagem e do Som, a Mostra de Cinema Brasileiro, em comemoração ao Dia do Cinema Brasileiro (19 de junho). O filme escolhido para a abertura foi “O cheiro do ralo”, dirigido por Heitor Dhalia.

“É um filme interessante. Os filmes que passam aqui no MIS são bons, mas muita gente não conhece o espaço. Às vezes eu acho um descaso com o que Campo Grande tem a oferecer na área da cultura. Aqui é um ambiente bacana, principalmente para estudantes, que não têm muita grana, pois os eventos são gratuitos, e são filmes que não passam nos outros cinemas”, diz o estudante de Jornalismo, Francisco Guitti.

Os namorados Francisco Guitti e isabella Abreu. Foto: Karina Lima – FCMS

Sua namorada, a acadêmica de Artes Visuais Isabella Abreu, curte muito os filmes nacionais, e o que ela considera como sua maior característica é a temporalidade. “O tempo de narração é diferente”. “O que não é explorado em filmes de outras nacionalidades”, diz Francisco. “Aqui as produções têm muito da linguagem, gírias, uns regionalismos linguísticos e formas de comportamento de cada Estado, a Arquitetura de cada região”.

Os amigos Lucas Meira, acadêmico de Direito, e Ana Laura Penha, estudante de Medicina, vieram ao MIS pela primeira vez, com a amiga Mariana Maia, estudante de Direito, que já é veterana na casa. “Sempre tive curiosidade de vir, mas às vezes falta tempo. Hoje a Mari me convidou. A gente não vai ter oportunidade de ver este filme nos cinemas populares. No Paraguai só passam os mais comerciais. Acho interessante poder vir”, diz Ana Laura, que é paraguaia e se sentiu incentivada a estudar no Brasil por sua mãe, que também o fez anteriormente.

Os amigos Lucas Meira, Mariana Maia e Ana laura Penha. Foto: Karina Lima – FCMS

Lucas diz que as grandes bilheterias dos cinemas geralmente apresentam comédias nacionais, deixando uma caricatura sobre o cinema brasileiro. “Mas a gente sabe que o cinema brasileiro é muito mais que isso. É o que a gente veio buscar. Eu conheço o escritor do livro que deu origem ao filme. E as exibições aqui funcionam como uma válvula de escape para o cotidiano, para a rotina, e faz com que conheçamos as coisas, saiamos do comodismo”.

Mariana diz que quando tem eventos, ela vem com os amigos. “Aqui é um espaço de fomentação da cultura em Campo Grande. Participei do Coletivo Feminista na UFMS, e acho importante estar dentro dos acontecimentos culturais”.

A advogada Kézia Miranda, uma das integrantes do Cine Café, responsável pela curadoria da Mostra, sentiu um clima positivo na abertura. “Acho que todos aqui são apreciadores do cinema nacional. E o Cine Café está aberto à sugestão de filmes e a compartilhar conhecimento. Os critérios utilizados na seleção dos filmes para esta Mostra foram os aspectos políticos do país e os cinematográficos. Precisaríamos de muito mais que três dias para representar o audiovisual nacional. Nessa Mostra escolhemos dois filmes mais recentes e no último dia vamos prestigiar um ator da nossa terra: vamos fechar a mostra com ‘Caingangue’, com a presença de David Cardoso. Também na quarta-feira (19.06) vamos realizar debates e reflexões sobre as dificuldades de se fazer cinema em Mato Grosso do Sul”.

A advogada Kézia Miranda, uma das integrantes do Cine Café. Foto: Camila Tiemann

Kézia falou sobre sua motivação para continuar realizando este movimento cultural com o Cine Café e a importância do apoio do poder público na fomentação da cultura. “Eu vejo a carência cultural que nossa cidade possui nesta área. Sempre fui apaixonada pelo audiovisual, que tem o poder da democratização da informação, e acaba falando muito mais que muitas palavras. Nosso projeto tem caráter itinerante, abrange público de todas as faixas etárias, com diversas formações e de diferentes classes sociais, o que também caracteriza nossos integrantes da organização. Isto traduz nossa abrangência, e com a força e o apoio do poder público, adquirimos ferramentas e espaços de exibição, como o MIS, para difundirmos informações, fomentarmos a cultura e instigarmos o debate”.

A Mostra de Cinema Brasileiro continua nesta terça-feira (18.06), às 19 horas, com o filme “A erva do rato”, dirigido por Júlio Bressane (classificação: 16 anos). Encerrando a programação, às 19 horas, o MIS exibe na quarta-feira (19.06) o filme “Caingangue – A pontaria do diabo” (classificação livre), no Cine Café Especial, com a presença do ator David Cardoso. A direção deste faroeste é de Carlos Hugo Christensen.

Serviço: A entrada para as exibições é franca. O MIS fica no Memorial da Cultura e da Cidadania, na avenida Fernando Correa da Costa, 559 Centro, no terceiro andar. Telefone: (67) 3316-9178.

Foto em destaque: Divulgação do filme “O cheiro do ralo”