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Pioneiro, Jonir Figueiredo ensina a colorir recicláveis e criar novos conceitos na Arte-educação

Campo Grande (MS) – Voz de barítono, gestos de maestro. Também doce e categórico, como os professores que o cercam. Mas os mestres nesta aula são os alunos. E o professor, para privilégio de todos, é o primeiro arte-educador de Mato Grosso do Sul: Jonir Figueiredo.

“Quero que vocês explorem as possibilidades das pequenas coisas, das coisas que aparentemente não possuem valor. Apliquem cores, formas, suas idéias. Imaginem-se nas escolas das periferias, onde o pouco é muito. E disso, criem novas possibilidades para oferecer a estes alunos, para ampliar seus conceitos de arte e de mundo”, incentiva Jonir, que abre a aula no domingo a tarde para 25 professores e graduandos em cursos de licenciatura.

As coisas são pratos de barro, pedras portuguesas, calotas de carro, palitos de sorvete se transformam em objetos renovados, arte pura. E Jonir explica o passo a passo, abrupto a princípio, gentil na sequencia. Sorridente no resultado.

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Todos estão em plena tarde quente de domingo aprimorando seus conceitos. Essas 25 pessoas, somadas a outras 15 que participaram na primeira aula, no sábado, formam a oficina “Arte com Reciclagem”, uma das muitas opções do I Seminário Cultura e Educação, realizado pela Secretaria de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação e Secretaria de Estado de Cultura entre os dias 5 e 7 de agosto.

O Seminário refletiu temas pertinentes na relação cultura e educação, provocou novos olhares sobre conceitos e práticas de interação, contemplou os hibridismos e cruzamentos poéticos. O encontro também oportunizou um espaço de partilha de saberes e fazeres educativos e artísticos, promovendo reflexões e práticas sobre a relação entre a cultura e educação, tendo como interface as questões estéticas e artísticas nas ações pedagógicas da escola.

Já a oficina de Jonir apresentou aos professores – dentro de todo este conceito de união entre cultura e educação – novas possibilidades, que vão além da pintura em tela. “O interessante é o educador orientar aos alunos que, hoje no mundo, se estabelece o conceito de reciclagem em tudo que realizamos”.

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“Eu quero terminar correndo este prato aqui pra seguir pintando as outras peças. Esta é uma oficina super prática, com muito espaço para arte, para a produção. Estou curtindo”, explica a graduanda em Arte e Educação, Lorena de Lima.

Jonir Figueiredo é um dos personagens pioneiros na área da arte educação em Mato Grosso do Sul. Sua experiência começou em escolas públicas de Campo Grande, a convite da ex-senadora Marisa Serrano, que trouxe para a Capital o Programa de Desenvolvimento na Arte Educação, entre os anos de 1979 a 1982. Eram anos pós-ditadura no Brasil, e sua maneira de ensinar arte era considerada inusitada pelos professores da época.

Em suas capacitações, Jonir proíbe a utilização de réguas e borrachas. “É para não desperdiçar o traço do aprendiz”. Para ele, as aulas de arte têm que ser diferenciadas. Devem ser feitas em poliesportivos, em pátios de escolas, ao ar livre… Nestes cenários, para ele, a intuição flui e jorra espontaneidade. “É importante levar os artistas para dentro da sala de aula para mostrar como se é possível fazer arte de uma forma prática. Eu não gosto de aluno comportado na carteira. Especialmente, adoro trabalhar com crianças, pois elas já possuem uma imaginação fértil. Você só dá o início do trabalho e elas têm a capacidade de continuá-lo sozinhas. Elas são uma ilha de criatividade”.

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Quantos aos recursos que podem ser utilizados pelos arte educadores, Jonir defende que o arte educador têm que despertar o olhar do aluno para o que existe a seu redor. “As famílias dos alunos de escolas públicas, por exemplo, mal têm dinheiro para comprar o feijão do dia. Assim sendo, no quarto, no quintal, na rua ou na praça, é possível encontrar matérias-primas para a arte. Sobras de madeira, papelão, plásticos, geladeiras, computadores, vasos de cerâmica… Tudo isso pode ser transformado”, acredita.

Fotos: Marcio Breda