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Peça do Boca de Cena incentiva debate sobre formação acadêmica do artista

  • 26 mar 2015
  • Categorias:Geral

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Campo Grande (MS) – No segundo dia da Mostra Sul-Mato-Grossense de Teatro Boca de Cena, quarta-feira (25), O Núcleo Teatral Isadora, de Dourados, entrou em cena com “Os Olhos que tivemos”, às 20h30, no teatro Aracy Balabanian.
A peça tem como temática a imigração, mudanças em busca de uma vida melhor. A personagem Isadora encontra-se em um território de passagem, numa zona de transição como um tempo/lugar fértil para a esperança individual e as utopias sociais.

O tema para a peça surgiu de muita pesquisa, leitura e experiências pessoais, pois o grupo é formado por professores universitários, do curso de Artes Cênicas da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), que vieram de vários Estados e até de outro país (a diretora da peça, Gina Tochetto, é descendente de italianos) para recomeçar a vida em Mato Grosso do Sul. A peça recebeu o Prêmio Funarte de Teatro Myrian Muniz 2013.

Para abordar a relação entre pai e filha, os laços de família e a ideia de viagens e imigração presentes no espetáculo, Gil Esper, o cenógrafo, iluminador e figurinista, introduziu objetos como malas, barquinhos de papel e laranjas. “Nós buscamos o funcionamento total dos elementos na cena. A imagem foi se adequando ao que o movimento da cena pedia e a direção queria. Foi um processo”, afirmou ele, durante um bate-papo com o público após a apresentação.

Gil explica também que o processo de criação foi conjunto. “Nós nos colocamos emocionalmente nas coisas. Acredito que todos devemos participar do processo criativo desde o princípio da montagem, criando e trabalhando junto. Para mim, funções técnicas também são funções artísticas, e a diretora, Gina, tem essa característica, de agregar a participação de todos”.

Foi debatida a relação do palco com a academia, já que os atores são artistas docentes e desenvolvem um trabalho de formação de atores em Dourados. “Dentro do horário das aulas e da grade curricular, dá para fazer muito pouco. Mas durante o segundo ano do curso [de Artes Cênicas] existe o “Projetão”, em que é possível um trabalho neste sentido. Há também os Trabalhos de Conclusão de Curso, pesquisa e extensão”, explica Gina.

Gil expôs sua opinião de que mais que formar o ator, a equipe de professores desenvolve o pensar teatral. “A universidade nunca formou ninguém. Ela aponta caminhos. O nosso objetivo é fazer as pessoas se apaixonarem pelo trabalho”.

A diretora do espetáculo, Gina Tochetto, fala sobre a importância da Mostra Boca de Cena. “Nosso trabalho ainda não tinha chegado a Campo Grande, e o Boca de Cena contempla essa troca, de conhecermos o trabalho uns dos outros, o contato com outros artistas”, conclui.

A Mostra é realizada pela Secretaria de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação de Mato Grosso do Sul (Sectei), com organização e produção da Fundação de Cultura de MS e do Coletivo Setorial de Teatro de Campo Grande.
“Boca de Cena” é realizada em comemoração ao Dia Internacional do Teatro e Dia Nacional do Circo, 27 de março, e traz para a população uma programação gratuita com peças teatrais representativas da recente produção teatral do Estado.

Hoje (26), às 19 horas, no Teatro da Orla Morena, será apresentado o espetáculo “Tudo Porã por Aqui”, de Emmanuel Marinho (Dourados – MS). Logo após, às 20h30, Rick Tibau apresenta “O Experimento Tirésias”, no Teatro Aracy Balabanian. A entrada para os espetáculos é franca.

Mais informações com Márcio Veiga, coordenador do Núcleo de Teatro da Fundação de Cultura de MS, pelos telefones (67) 3318-9170 ou (67) 9272-9770.

Texto: Karina Lima
Foto: Cátia Santos