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Orquestra paraguaia de instrumentos feitos do lixo traz mensagem de transformação e integração entre países sul-americanos

Corumbá (MS) – “Pedimos desculpas por trazermos um pouco do lixo do Paraguai, mas esperamos que este som do lixo seja agradável para vocês”. Assim o professor de música e maestro da Orquestra de Instrumentos Reciclados de Cateura, no Paraguai, introduziu as apresentações na abertura oficial do 15º Festival América do Sul Pantanal, na noite desta quinta-feira, 14 de novembro, na praça Generoso Ponce, em Corumbá.

A orquestra trouxe para o público do Festival um repertório escolhido especialmente para a ocasião, com “músicas dos países unidos por esse rio maravilhoso, que é o Rio Paraguai”. A plateia pôde se deliciar com Tico-Tico no Fubá, do brasileiro Zequinha de Abreu, interpretada com solo de uma flauta feita com cano de água; tangos de Astor Piazzolla e Carlos Gardel, da Argentina, que uma das solistas interpretou com um violino feito com lata de tinta, e como não poderia faltar, o clássico paraguaio Galopeira, de Mauricio Cardoso Ocampo.

A Orquestra de Instrumentos Reciclados de Cateura é a primeira orquestra do mundo a usar instrumentos feitos a partir de produtos reciclados do lixo. A orquestra surgiu a partir de uma oficina de educação musical direcionada para crianças e adolescentes da comunidade de mesmo nome, formada a partir do lixão no subúrbio de Assunção, no Paraguai.

O maestro Flávio Chavez explica que, depois de 13 anos de existência e tendo se apresentado em mais de 50 países e quatro continentes, a orquestra significa uma experiência musical para os jovens participantes e uma possibilidade de transformação para o mundo. “Foi um processo longo em que aconteceram muitas coisas. Nosso mundo está precisando de auxílio. Nosso mundo é nosso lugar, nossa casa. Não podemos ambicionar mais coisas, temos que melhorar o lugar em que vivemos”.

Para todas as crianças desta comunidade onde a taxa de criminalidade era alta e a pobreza e falta de oportunidades imperavam, a música representa a beleza, a poesia da transformação da realidade. A música que vem do lixo, que transforma e atribui significado à vida, veio para Corumbá, para o Festival. “Para nós é um Festival muito importante porque faz a cultura de distintos lugares se unirem para todas as pessoas. Para nós é muito importante que as crianças vivam esta experiência”, diz o maestro.

A apresentação trouxe bons frutos. A família de pescadores profissionais de Corumbá, Rosângela e Luiz Vasconcelos, trouxeram os filhos Luiz Felipe, de 20 anos; Luiza, de 5 anos, e de Elizete, de apenas seis meses, que acompanhou tudo do colo de sua mãe. Como a pequena Luiza passou toda a apresentação da orquestra dançando, a família prometeu matricular a menina nos cursos de dança e música do Moinho Cultural. “Esse Festival traz muita coisa diferente pra gente ver. Eu pensava que lixo era só pra reciclar, não achava que dava pra fazer tudo isso que eles fizeram. Nós vamos colocar a Luiza pra fazer aulas no Moinho Cultural. Ela adora música e dança e gostou muito do violino feito do lixo”, diz a mamãe Rosângela.

Realizado com investimento público da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul e patrocínio da Energisa, Vale, Caixa Econômica Federal e Governo Federal, o 15º Festival América do Sul Pantanal (Fasp) acontece entre os dias 14 e 17 de novembro. A programação foi pensada para agradar a todos os gostos. E claro, tudo com entrada franca. Mais informações sobre o evento podem ser obtidas na nossa página (hom.fundacaodecultura.ms.gov.br) ou pelo telefone 3316-9109.

Fotos: Fernando Antunes