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MIS e Sintercom lançam no Dia do Radialista campanha para resgatar memória fonográfica

A jornalista e radialista Marília de Castro doou para o MIS um transmissor de áudio analógico, bem como fotos e gravações de seu acervo pessoal. Foto: Débora Ferreira

Campo Grande (MS) – Para comemorar o dia desses profissionais, nesta quinta-feira (21/10), nada melhor do que uma campanha que pretende resgatar a memória dos radialistas do Estado nos 40 anos de Mato Grosso do Sul; “Memoria Radiofônica – MS 40 anos” e que foi lançada no MIS (Museu da Imagem e do Som) que em parceria com o Sintercom (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão, Televisão, Publicidade e Similares) estarão à frente do projeto.

A profissão de radialista engloba 94 outras atividades que os profissionais dessa área estão aptos, como por exemplo, operador de câmera, sonoplasta, locutor anunciador, operador de áudio, dentre outros. E a campanha visa resgatar a história e a memória de todos esses profissionais que atuam ou atuaram no rádio e na televisão e em outras mídias.

A coordenadora do MIS, Marinete Pinheiro, parabenizou os profissionais e agradeceu a presença de todos. Ela disse que a ideia do projeto partiu do locutor e cerimonialista Athayde Alves e comentou sobre o trabalho do produtor e pesquisador Carlos Luz, que já vem fazendo um resgate da memória fonográfica do Estado. “A gente tem um trabalho muito forte na pesquisa, é muito oportuna essa campanha”, ressaltou Pinheiro.

O Jornalista Bosco Martins relembrou de seus tempos no rádio, de histórias pitorescas acerca de sua profissão como radialista. Foto: Débora Ferreira

Já o jornalista Bosco Martins disse ter começado no rádio muito cedo, e disse estar emocionado, aos 60 anos falar de rádio. Começou a atuar como redator na emissora RG4 de Jaboticabal e depois foi repórter de campo. Lembrou que na época se buscava informação em boletins de ocorrências. “A rádio tem muitas histórias marcantes e duas datas para comemorar o dia do radialista; dia 21 de setembro com um decreto de Getúlio Vargas no auge do rádio em 1943 e no governo Lula em homenagem a Ari Barroso em 7 de novembro”, e completa, “É um privilégio atuar com  rádio , esta fala por si”.

 

O Superintendente do FIC (Fundo de Investimentos Culturais), Ricardo Maia, reiterou que a rádio sempre atuou pela sua capacidade de difusão e comentou sobre essa campanha, “É muito importante constituir esse acervo e também fazer do MIS um lugar de debate, de guardar as memórias”. Maia também falou do projeto do FIC que irá preservar o acervo do fotógrafo Roberto Higa, “É importante que a memória do Estado seja preservada, a gente quer receber esse material para que não se perca”. E finalizou citando a publicação no Diário Oficial da sanção pelo governador da Lei que torna realidade o Sistema Estadual de Cultura.

Já o locutor e cerimonialista Athayde Alves disse já ter atuado em quatro rádios simultaneamente e que em 1991 se enveredou pelo Cerimonial. Alves teve a ideia de realizar essa campanha para resgatar tanto o material histórico, quanto dos atuais. “Eu peço que falem aos demais profissionais para que reúnam esse material, seria de grande importância que todos se mobilizassem”, frisou Athayde, que também lançou outra ideia para se seja feita uma mostra daqui há um ano com o resultado daquilo que será colhido.

O pesquisador e produtor cultural Carlos Luz explicou que num primeiro momento será feito a pesquisa,  sendo digitalizado os trechos das vozes, bem como se comporá um acervo fotográfico que servirá de referência para se identificar o profissional e depois a catalogação que posteriormente será disponibilizado à população esses fonogramas.

Para a presidente do  Sintercom, Rose Borges, não se pode esquecer o passado. “Cada um aqui tem uma história do rádio para contar. Temos que pegar esses depoimentos dos profissionais contando suas experiências com o rádio”, destacou.

“Cada um aqui tem uma história do rádio para contar”, idisse Rose Borges, presidente do Sintercom. Foto: Débora Ferreira

O locutor Ricardo Ortiz fez uma primeira gravação simbólica simulando um programa de auditório de rádio em que convidou outros profissionais que estavam no MIS a falarem um pouco do trabalho que desenvolvem. Uma das entrevistadas foi Marilia de Castro, 30 anos como radialista, tendo em currículo passagem como correspondente da Rádiobrás, entre outros tantos trabalhos. “É emocionante, [o rádio] exige muita concentração e corta distâncias, você dá o recado mesmo com a facilidade da internet. Hoje todos são repórteres, mas o trabalho dos profissionais é fundamental”, disse Castro.

O radialista Ricardo Ortiz disse que o fator principal para se dar bem nessa profissão é paixão pelo que se faz. “Isso se torna algo gratificante, envolve uma comunidade e dá credibilidade a tudo o que se fala”. Para Ortiz a campanha que irá registrar e preservar a memória dos radialistas é um marco divisor, deveria ter sido feita há muito tempo. “Esse é um momento de resgate da história, daquilo que é imaterial, que é justamente deixar registrado a comunicação de MS”, ressaltou Ricardo.

Foto: Débora Ferreira