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Mostras diversas, mas associadas pela estética abrem 1ª Temporada de Exposições do Marco

  • 07 abr 2015
  • Categorias:Geral

 

Campo Grande (MS) – Colagens, esculturas, fotografias e impressões sublimáticas. Quatro mostras diversas entre si, mas associadas pela beleza artística, abrem no dia 14 de abril (terça-feira), às 19h30, no Museu de Arte Contemporânea (Marco), unidade da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, a 1ª Temporada de Exposições 2015.

“Colagens Musicais” – xilogravuras e colagens do artista plástico André de Miranda (RJ), “Comitiva Contemporânea” – cerâmicas da artista plástica Buga (MS), “Terra” – fotografias de Sebastião Salgado (MG) e “Sublimação” – impressão sublimática sobre azulejo do artista plástico Wagner Thomaz (MS) apresentarão ao público impressões de artistas reconhecidos nacionalmente.

O artista plástico carioca André de Miranda apresenta em “Colagens Musicais” os resultados de sua pesquisa e sua incessante busca pelo aprimoramento de sua linguagem: a xilogravura, utilizada durante seus quarenta anos de atividade profissional ininterrupta.

Suas obras se utilizam de trechos recortados e colados de suas próprias xilogravuras. Com naturalidade, o artista as aplica com papéis coloridos e partituras recriando provocantes sinfonias, verdadeiras composições visuais.

Xilogravura de André de Miranda

Xilogravura de André de Miranda

“De maneira pertinente, a sobreposição a um só tempo ordenada e intuitiva de pedaços irregulares de xilogravura, papéis coloridos e partes de partituras resultam em sonoras imagens nas quais podemos ouvir, tendo como pano de fundo o intenso relacionamento entre as formas em busca de uma ordenação harmônica em contínuo movimento visual”, avalia Ricardo Pereira, professor mestre em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

A mostra “Comitiva Contemporânea” apresenta esculturas em argila da artista plástica Buga, de Bonito. É uma homenagem em forma de exposição à comitiva pantaneira e reflete as lembranças de seus tempos de infância no Pantanal do Nabileque.

Utilizando-se de utensílios de uso doméstico como facas, agulhas de crochê, rolos, tábua de madeira e argila que ela mesma produz, ralando e derretendo tijolos não queimados, Buga nos transporta às estradas e campos sul-mato-grossenses, nos fazendo cruzar com o trabalho árduo do comissário, do ponteiro, dos rebatedores ou dos peões de culatra, fazendo com que arte contemporânea e as tradições coexistam.

Mostra "Comitiva Pantaneira", da artista plástica bonitense Buga

Mostra “Comitiva Pantaneira”, da artista plástica bonitense Buga

“Terra” é o título do livro publicado por Sebastião Salgado em 1997 pela Companhia das Letras, que conta com textos de José Saramago e canções de Chico Buarque. Reúne 109 fotografias em preto e branco tiradas entre 1980 e 1996 que retratam a condição de vida de trabalhadores rurais, sem terra, mendigos, grupos socialmente excluídos e marginalizados no Brasil. Foi contemplado em 1998 com o Prêmio Jabuti de literatura por melhor reportagem.

As fotografias de Sebastião Salgado em cartaz nesta 1ª Temporada do Marco narram, entre outros conflitos, o massacre de Eldorado dos Carajás (Pará, 1996), em que 155 soldados da polícia militarizada abriram fogo contra uma manifestação de camponeses em protesto aos graves problemas dos trabalhadores do campo e ao atraso legal de expropriação de terras. As fotografias fazem parte do acervo da Adufms (Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) em comodato com o museu.

Fotografias de Sebastião Salgado estarão em cartaz nesta 1ª Temporada do Marco

Fotografias de Sebastião Salgado estarão em cartaz nesta 1ª Temporada do Marco

Já “Sublimação”, impressão sublimática sobre azulejo do artista plástico Wagner Thomaz, resgata fragmentos de uma memória urbana em ruínas. A mostra permite vislumbrar quanto Campo Grande se modificou ao longo de seus 115 anos por variadas intervenções arquitetônicas.

“As poucas edificações ecléticas que ainda existem vêm dando lugar a novas paisagens, transformações impostas pela especulação imobiliária à fisionomia da cidade, que se consome em nome do progresso em um movimento contínuo de destruição e construção”, analisa Wagner.

Em sua poética, o artista tem na ruína ferramenta tanto para revelar sua escolha pela técnica quanto o caráter efêmero da vida e a relação estabelecida entre o tempo, a memória e a cidade. Os azulejos, suporte para os trabalhos, remetem à história da arquitetura e de um passado; sublimação, técnica de impressão que tende a desaparecer com o tempo. Tempo, memória e história combinados com universo sensível de criação do artista.

Serviço: A 1ª Temporada de Exposições estará aberta à visitação de terça a sexta, das 12h às 18 horas. Sábados, domingos e feriados, das 14h às 18h até o dia 16 de junho.

Para mais informações ou agendamento de escolas para a realização de visitas mediadas com as arte educadoras do Programa Educativo, basta ligar no telefone (67) 3326-7449.

O Museu de Arte Contemporânea fica na Rua Antônio Maria Coelho, nº 6000, no Parque das Nações Indígenas. O email é: marco@fcms.ms.gov.br. Visite também o site e a página no facebook: www.marcovirtual.wordpress.com e www.facebook.com/marco.museu.

Contatos para a Imprensa:
André de Miranda – (21) 983521720
Buga – (67) 9157-5340
Wagner Thomaz – (67) 8127-2530

Texto: Márcio Breda
Fotos: Sebastião Salgado
Buga