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Mostra expõe dores e alegrias de mulheres que mantém viva cultura indígena

Campo Grande (MS) – Em um instante, os milésimos de segundo de exposição a uma câmera fotográfica captam sorrisos, tristeza e amparo. Mas, em comum, revelam solhares calejados de luta, serenidade e aceitação. As imagens fazem parte da exposição fotográfica “Kuña Porã: Matriarcas Kaiowá e Guarani”, da produtora cultural e graduanda em História Fabiana Assis Fernades, aberta nesta terça (26) no Museu da Imagem e do Som.

As imagens foram captadas durante anos de vivências com mulheres e crianças indígenas das aldeias Jaguapiru, Panambizinho e Bororó, em Dourados e nos Tekohá (acampamentos e áreas de ocupação recentes reivindicadas pela população) de Guyra Kambi´y e Ita´y, de Douradina e Apika´y, de Dourados.

“Nasci em Dourados, sei o tamanho do preconceito que os indígenas sofrem de alguns segmentos da sociedade da cidade. Isso me motivou a conhecer seu modo de vida, suas lutas e sua cultura. A mostra é fruto desta vivência, do meu envolvimento com essas mulheres e seus sentimentos”, revela Fabiana.

Foto: Edemir Rodrigues

Foto: Edemir Rodrigues

Em fotos que exploram o colorido e a integração das mulheres que unificam a cultura indígena Guarani e Kaiowá, Fabiana registrou a força das rezadoras, parteiras, artesãs, professoras, jovens e crianças em suas práticas cotidianas. O dia a dia e uma insistência bendita em manter vivos os traços culturais de seu povo.

Cada painel, decorado por indígenas das próprias comunidades, apresentam em suas duas faces imagens que se complementam. Em uma, uma jovem sendo treinada para assumir a função de rezaderia no futuro. De outro, uma anciã exercendo ofício do cotidiano. “É uma forma de mostrar que essa continuidade é mantida com muita honra, apesar das influências culturais e religiosas que incidem sobre essas populações”, avalia a Fabiana Fernandes.

Ainda segunda a autora da mostra, cada vez mais atuantes na política, econômica e socialmente dentro e fora das aldeias, elas lutam por igualdade na diversidade e redefinem sua identidade ao mesmo tempo em que transmitem saberes tradicionais para as novas gerações.

Palestra – Além da abertura da exposição, a terça-feira (26) foi marcada pela palestra do professor Casé Angatu (Xukuru Tupinambá), morador do Território Indígena Tupinambá de Olivença, em Ilhéus, na Bahia.

Casé abordou o fortalecimento da cultura e da resistência indígena e o orgulho de pertencimento a etnia como forma de ampliar o respeito e garantir que os direitos dos diferentes grupos sejam respeitados não apenas no Estado, mas em todo o país.

Foto: Edemir Rodrigues

Foto: Edemir Rodrigues

Doutor em História da Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo, Mestre em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e historiador formado pela Universidade Estadual Paulista, Casé é professor efetivo na Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus, na Bahia. É autor dos livros: Nem Tudo Era Italiano; Pobreza na Virada do Século XIX-XX (Annablume/Fapesp. 2006 – 3a. Edição) e Identidades Urbanas e Globalização: constituição dos territórios em Guarulhos/SP(Annablume/Sinpro. 2006).

Semana Estadual dos Povos Indígenas – Com extensa programação cultural que apresentará a resistência, reforçará direitos, conquistas e os valores culturais dos índios sul-mato-grossenses, as atividades seguem até 29 de abril em diferentes unidades da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.

Os eventos celebram os valores e discutem a garantia de direitos dos povos indígenas por meio de apresentações culturais, mostra de cinema e minicursos. A semana também comportará o “I Fórum de Mulheres Indígenas de Mato Grosso do Sul”, que contará com palestras e debates com lideranças indígenas, representantes governamentais e estudiosos.

As ações acontecem por meio das parcerias do Conselho Estadual dos Direitos do Índio, da Secretaria de Estado de Governo, da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul e da Secretaria de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho.

Serviço: A mostra é aberta ao público no Museu da Imagem e do Som, que fica no Memorial da Cultura, na Avenida Fernando Correa da Costa, 559, 3º andar, Centro. Além da exposição fotográfica o museu exibe nesta quarta (27), a partir das 19h30, os filmes “Flor Brilhante e as Cicatrizes na Pedra”, também dirigido por Fabiana Fernandes, “A Procura de Marçal” e “A Nação que não esperou por Deus”.