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Mostra de Cinema Japonês começa com filme sobre o fim da era dos samurais

  • 27 set 2016
  • Categorias:Cinema

Campo Grande (MS) – Foi aberta na noite de ontem a Mostra de Cinema Japonês no Museu da Imagem e do Som, unidade da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. O filme de estreia foi “O Samurai do Entardecer”, do diretor Yoji Yamada, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2004.

O curador da Mostra, o engenheiro e cinéfilo Celso Higa, informa que o cineasta fez o filme quando tinha 71 anos. “Hoje ele tem 85, ainda está vivo. É um filme de época, do fim do feudalismo no Japão. Fala da transição da era Tokuzawa para a era Meiji, época do crepúsculo dos samurais. Como não era período de guerra, muitos se tornaram funcionários públicos. Existe um romance dentro desse ambiente. O samurai Seibei, com sua esposa falecendo, a mãe senil e com Alzheimer, frente a essa situação fica desleixado com a vestimenta. Nesta parte do filme os tons são opacos, sombrios. Depois que ele reencontra seu antigo amor as cores ficam mais vivas. O homem só encontra seu equilíbrio quando ele encontra sua mulher”.

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Celso agradeceu a presença de todos e o apoio do MIS. “Fico feliz por terem vindo. Agradeço à Marinete, coordenadora do Museu. Esta mostra nos remete à saudade. Agradeço a presença dos filhos do Fukuji Tomiyoshi, que a partir de 1956 introduziu o cinema japonês em Campo Grande. Ele ia a São Paulo conversar com distribuidores e produtores dos filmes japoneses. Essas projeções sempre trouxeram essa clientela [das colônias vizinhas] que não discutia o gênero dos filmes, independente disso eles compareciam. Outro entusiasta do cinema japonês é o cineasta Cândido da Fonseca. Eu ia com ele ver os filmes e ele dizia: ‘esses filmes são gozados, o mocinho vai lutar e os bandidos não atacam todos de uma vez, vêm um de cada vez para lutar”.

Ao lembrar das histórias, Celso trouxe um clima de nostalgia para a abertura da Mostra. “Tinha uma mercearia da família Saliba, a Mercearia Califórnia, que ficava na Dom Aquino com a 14 [de julho], que sempre ficava aberta nos dias de projeções no Cine Santa Helena. Todas as sextas-feiras a mercearia ficava aberta até as 11 da noite para atender aos japoneses vendendo suas mações argentinas, com aquele papel roxo, as latas de goiabada e marmelada. Tudo isso nos remete a um sentimento nostálgico”.

Sobre o filme “O Samurai do Entarceder”, Celso explicou que é uma obra que aborda o Alzheimer, os arranjos matrimoniais, chamados “miai”, os valores dos samurais, sua baixa remuneração. “Com a restauração Meiji começou a modernização do Japão, muitos japoneses emigraram para outros países, por causa da recessão gerada pelas guerras. No Brasil, os primeiros imigrantes vieram em 1908. Por isso eu estou aqui hoje”.

A coordenadora do MIS, Marinete Pinheiro, diz que o cinema japonês é quase que uma prioridade do Museu, porque raramente são exibidos nos cinemas comerciais. “A gente faz questão de realizar essa Mostra para reunir esse público, os descendentes dos japoneses aqui do Estado. É quase uma reunião entre amigos”.

O casal Ricardo e Nair Nakao veio prestigiar a Mostra. O pai de Nair, Fukuji Tomiyoshi, era quem trazia os filmes japoneses para serem exibidos no Cine Santa Helena às sextas-feiras, na década de 1960. “O filme ‘Os Sete Samurais’ que vai passar aqui na Mostra na quinta-feira passou no Santa Helena naquela época. Era o ponto de encontro da colônia japonesa de Campo Grande e do interior também”.

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Ricardo e Nair Nakao. Ela é filha de Fukuji Tomiyoshi, que trazia os filmes japoneses para serem exibidos no Cine Santa Helena na década de 1960.

Marley de Freitas e Adelmo da Silva foram assistir à projeção a convite do amigo Celso, o curador. “Viemos para conhecer o filme e prestigiar o amigo de longa data. Confiamos na capacidade do Celso, ele se dedica muito ao que faz. Temos diversos amigos descendentes de japoneses, a cultura japonesa é uma área que nos interessa bastante. Teve até um filme, ‘Arigatô’, sobre a história da imigração japonesa em Mato Grosso do Sul, que o Celso fez o levantamento histórico”. O filme, na verdade, foi produto de uma série de TV feita pelas jornalistas Maristela Yule e Lu Bigatão, explicou Celso.

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Marley e Adelmo são amigos do curador da Mostra e têm interesse pela cultura japonesa

Muriel Pereira Vieira tomou gosto pelos filmes japoneses graças ao seu segundo namorado, que não era descendente, mas cinéfilo. “A gente assistia a todo tipo de filme. Eu venho a todas as mostras do MIS. Gosto de filmes bons, independente da nacionalidade. Aqui a seleção é impecável. Não tem nenhum que eu não tenha gostado”.

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Muriel gosta de bons filmes e participa de todas as Mostras no MIS.

Os amigos Mario Morimoto e Massato Kiemo viram uma matéria sobre a Mostra no jornal e decidiram vir. “Nós gostamos de filmes de Samurai, porque a gente quer saber a história do Japão, que a gente não sabe. São filmes que têm ação, os outros não têm. Antigamente passava filme de judô, eu gostava também, porque eu praticava um pouco de judô”, diz Mário.

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Mário e Massato gostam de filmes de samurai

Hoje à noite, no MIS, a Mostra vai exibir o filme “Oharu: Vida de uma cortesã”, do diretor Kenji Mizoguchi, um dos mais importantes diretores do cinema japonês. O filme é de 1952 e foi agraciado com Leão de Prata no Festival de Veneza.

Serviço:

As exibições acontecem até 30 de setembro de 2016 (sexta-feira), sempre às 19 horas e com entrada franca. O Museu da Imagem e do Som fica no Memorial da Cultura, na avenida Fernando Correa da Costa, 559, 3º andar. Para mais informações sobre a programação do museu acesse www.misms.com.br. O e-mail do MIS é mis@fcms.ms.gov.br. Telefone: (67) 3316-9178.