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MIS recebe Primeiro Encontro de Cineclubes do Estado

  • 09 ago 2016
  • Categorias:Cinema

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Campo Grande (MS) – Aconteceu na noite desta segunda-feira, dia 8 de agosto, no Museu da Imagem e do Som (MIS), o Primeiro Encontro de Cineclubes do Estado. O evento contou com a presença do presidente do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros (CNC), Eduardo Paes Aguiar, e da diretora de Formação e Projetos do Conselho, Carol Sartomen.

O encontro reuniu membros de cineclubes de diversas cidades do interior do Estado e de Campo Grande, além de representantes do município de Uruaçu, em Goiás. Foram discutidos temas importantes para o setor, como direitos autorais para exibição de filmes, filiação ao CNC e propostas para o Plano Setorial do Audiovisual de MS.

O encontro teve início com a exibição do filme “A Cor da Luz”, do cineasta Mario Kuperman. Este foi o primeiro filme feito no país sobre cineclubismo, feito em 1986. Logo após, Carol Sartomen agradeceu aos participantes que vieram de outras cidades, ao presidente do CNC e ao apoio da Fundação de Cultura para a realização do evento, “que reflete a importância da resistência do movimento cineclubista”.

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A técnica de Cinema e Vídeo da Fundação de Cultura do Estado, Lidiane Lima, afirmou ser importante a Fundação ser parceira do evento. “A Carol usa o MIS nas atividades do movimento. Nós temos o Rota Cine, que circula pelo Estado há dez anos, possibilitando formação e capacitação para abertura de cineclubes. Para mim e para a Fundação, este evento é único”.

A coordenadora do MIS, Marinete Pinheiro, desejou as boas vindas a todos. “Que o cineclubismo não seja só exibição de filmes, mas que haja debates após as exibições. Nós temos várias Mostras aqui no MIS, semana que vem teremos a Mostra de Cinema Boliviano”.

Após as boas vindas, cada participante foi convidado a se apresentar. Lidiane tomou a palavra afirmando o papel transformador do cinema. “Ele abre portas. No começo do RotaCine, exibíamos em lugares que não tinha energia, usávamos gerador com gasolina. Imagina para uma comunidade como essa conhecer o mundo pelo cinema. Abre uma reflexão sobre o mundo. Temos também o Beabá, para crianças, e o FUÁ [Festival Universitário do Audiovisual], que revela talentos e incentiva a produção de curtas em Mato Grosso do Sul”.

O presidente do Fórum Municipal de Cultura, Airton Raes, falou sobre sua participação no cineclubismo de MS.”Toquei o Transcine, fui curador do Festival de Cinema de Ivinhema”. Belchior Cabral, que tem uma produtora, participou em 2001 do Circuito Popular de Cinema. Visitou assentamentos rurais fazendo projeções durante todo o ano de 2001. Hoje participa do grupo responsável pelo encaminhamento do Plano Setorial do Audiovisual. “Estamos fazendo mapeamento dos espaços em que existem cineclubes. Depois deste diagnóstico serão propostas metas e estratégias”.

Estiveram presentes alguns representantes do Cineclube Guarani, de Campo Grande, que é a continuação do Cinema d(e) Horror. Eles estão na luta para conseguir projetor para levar o projeto para fora do MIS. “A ideia é mais anarquista”, diz Carol Sartomen, uma das participantes do cineclube. “Um novo cineclube não personalista, um projeto coletivo para alcançar a periferia. Todo mundo é protagonista no grupo”.

Eduardo Paes Aguiar falou sobre a importância de estar filiado ao CNC. “É estar conectado. Há experiências no país todo. Pretendemos criar uma plataforma na internet para colocar as experiências, abertas ao público, além de disponibilizar filmes para exibição. A filiação também proporciona participação na Jornada Nacional de Cineclubes, que acontece a cada dois anos e permite ao membro eleg3er a diretoria do Conselho. A taxa anual é de cinquenta reais e o CNC oferece assistência aos filiados”.

Aguiar disse ser importante a união dos cineclubes do Estado. Sugeriu a criação de uma associação de cineclubes e produtores de audiovisual, que seja feito um diagnóstico da situação do Estado e a divulgação das ações na internet, das experiências já existentes.

Nilda Pereira, da Fundação Nelito Câmara, de Ivinhema, relatou sua experiência no Cineclube Joel Pizzini. “O cineclube trabalha com escolas. Toda quinta-feira o cinema Cinelito é aberto para alunos tanto do diurno como do noturno. Temos a Mostra de Direitos Humanos, o Festival do Minuto e o Cinema Petrobrás. Nós realizamos debates após os filmes”.

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Ela diz que, além do cinema, os filmes também são passados na Fundação Nelito Câmara com as crianças atendidas. Elas produzem redações e desenhos com o tema dos filmes.

No projeto Curta Ivinhema, as escolas produzem curtas com assistência da Fundação Nelito Câmara, que empresta equipamentos para escolas que não o possuem. “Cada escola faz o seu curta, os vencedores ganham premiação em dinheiro. O cineclube é de extrema importância num mundo onde o jovem não tem válvula de escape para soltar sua criatividade. Muitos hoje são profissionais, trabalham com fotografia, produzem vídeos por causa do cineclube. Desperta o senso crítico desde cedo nos jovems e adolescentes da cidade. As projeções são abertas à comunidade também”.

Cadu Modesto, de Três Lagoas, pertence ao Boca Cine, atuante desde 2015. Este cineclube surgiu a partir de um grupo de teatro do município, que manifestou a necessidade de pesquisa. Mais tarde foi montado o cineclube com projeções semanais, quinzenais, e agora, são mensais. Eles ocupam o antigo prédio do DNIT na antiga estação ferroviária, com autorização do uso pela prefeitura municipal. “As exibições são gratuitas, abertas ao público. O próprio grupo debate após a exibição. O público propõe a temática, o proponente é responsável pela produção da próxima sessão”.

Cadu diz que Três Lagoas teve um histórico de cinema até o ano passado, quando foi fechada a última sala. Daí o appel do Cineclube, que faz um resgate do público consumidor de cinema. “Muitos frequentadores do cinema foram para o cineclube. Eles acham que vão ficar só para o filme, mas depois tem o debate, para eles é inovador”.

Hoje no município há um processo de produção cinematográfica. Foram realizadas algumas oficinas de Semiótica, Roteiro e Animação por apoiadores de Campo Grande, como Givago Oliveira, Thiago Oliveira e Silvia Miranda. Os alunos das oficinas, que também são profissionais da área, criaram um núcleo de trabalho. Produziram o primeiro curta, “Tempooral”, que fala sobre a perda, a morte. Também produziram o programa Boca Cine TV, sobre cinema regional, que foi exibido durante sete semanas na TVE (TV Concórdia). O grupo está finalizando o longa “Raiz do Vértice”, que aborda a violência contra a mulher. Possui um canal no youtube onde exibe o programa “É cultura”, sobre arte em geral.

Para Cadu, o cineclube tem o papelo de informação ao cidadão. “É permitido o consumo de alimentos durante as projeções, mas a reciclagem do lixo é a contrapartida da plateia. É feita a coleta nos tambores. Contribui para a discussão sociopolítica da cidade. É feita a adequação da temática de um filme estrangeiro à realidade de Três Lagoas. Os debates são calorosos”, diz.

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Eduardo Paes Aguiar ficou impressionado com as experiências apresentadas. “São experiências que já têm tempo, mais de um ano, todo mundo é antigo. São pessoas comprometidas com a atividade”.

Vai ser elaborada uma Carta do evento, que vai ser disponibilizada no site do CNC ao público em geral e por whatsapp aos participantes. “Espero que seja uma carta representativa das ideias para fortalecer os cineclubes e o Colegiado do Audiovisual do Estado”.

Ficou estabelecido que o próximo encontro será em Ivinhema, em novembro, durante o Festival de Cinema do Vale do Ivinhema.