Governo do Estado de Mato Grosso do Sul

Marco – IV Temporada de Exposições 2016

Novembro de 2016 a Janeiro de 2017

Matéria Derivado de Guilherme Moreira nos remete a refletir sobre o próprio processo criativo quando se está, por exemplo, diante de uma folha de papel, onde alguma informação está contida, redigida, ou gravada. Seja um texto, um desenho ou um gráfico, olha-se diretamente para a informação, para os códigos descritos nas folhas de papel sem que de fato se atente para o objeto em  mãos.

Matéria e Derivado surge da articulação visual entre a madeira e o papel. A exposição é pensada como uma grande instalação, ou um corpus de estruturas que transitam entre esculturas, objetos e fotografias, nas quais o imaginário particular de formas geométricas abstratas funciona como um ponto de partida para o espectador também imaginar, ver e experienciar, muito mais do que simplesmente interpretar.

Nas obras preocupa-se com a materialidade do papel e a linearidade da madeira, objetos tão coadjuvantes na História da Arte. Englobam o escopo da investigação poética de uma perspectiva inusitada da qualidade tridimensional da folha de papel e a possibilidade bidimensional e não-figurativa das linhas da madeira, numa tentativa de verticalizar e suspender no tempo e no espaço o que se tende a ver preso e absorto numa condição de passividade.

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Em Fragmentos de Weimar Arruda, entre linhas e manchas constrói e reconstrói paisagens – observadas ou imaginadas – as quais se convida a refletir sobre a própria existência. Nessa série, a artista não busca apenas a síntese da paisagem, do espaço físico ou imaginário, mas a síntese do tempo, pois ao resgatar trabalhos, principalmente pinturas de seu início como artista plástica, Weimar retoma o tempo até então adormecido – memórias, das memórias.

Por conta da grande capacidade que a arte tem de se reconstruir e de se ressignificar, todo e qualquer trabalho artístico tem a potência de se tornar outro. A partir dessa reflexão sobre arte e vida, encontraram-se na reestruturação – formas regulares, quadrados – um meio de se contar uma nova história, na qual se se justapõem tempos e espaços distintos.

Já  Acidente Geográfico do artista Luis Arnaldo Porto, faz uma redefinição do olhar sobre os desastres naturais. Ao se caminhar por uma paisagem de destroços vivencia-se um evento para além do cotidiano e que assim, a distância, em margem de segurança, se parece um sonho.

No léxico da Geografia, acidente geográfico é o termo utilizado para designar formas do relevo terrestre que podem ter origem natural (lagos, rios, serras, planícies, etc.) ou artificial (casas, cidades, pontes, etc.). Vê-se que o termo evoca, então, não tanto o sentido de algo ocasional, incidental, imprevisto, instantâneo.

No caso de acidentes cuja origem é artificial, o sentido posto em cena é justamente o contrário daquele que nos é mais familiar; valora-se o intencional, o proposital. Já, no caso de acidentes cuja origem é natural, se valida à medida do tempo geológico; acidente trata-se de uma forma resultante de um processo lento e gradativo de mudança duradoura. É esse o termo utilizado para nomear a série de desenhos que dão nome à exposição.

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Acidente geográfico tem mais a acrescentar enquanto estudo preparatório sobre a ação de desenhar e sua relação com o espaço – seja o suporte, seja o ateliê –, do que enquanto visualidade pura. “É por meio do ato de desenhar, e na atenção dada às transformações que sofrem o espaço ao longo de sua artesania, que elaboro pensamentos sobre as possibilidades do Desenho. A série Acidente geográfico é, portanto, coincidentemente ao próprio termo no léxico da Geografia, índice de acontecimentos”, pontua o artista Luiz Arnaldo Porto.

Em 2009, o MARCO foi contemplado no Prêmio Marcantonio Vilaça/MINC/FUNARTE, projeto de aquisição de obras de arte que permitiu ao Museu complementar seu acervo, histórico, com obras de três importantes artistas: Ignês Corrêa da Costa, Jorapimo e Wega Nery.

Ignêz Maria Luiza Corrêa da Costa (1907- 1987) nasceu em Cuiabá/MT. Pintora filha do ex-governador de Mato Grosso, Pedro Celestino, mudou-se com o pai para o Rio de Janeiro em 1924, acompanhando-o no seu último mandato ao Senado. Em 1933 expunha pela primeira vez no Salão Nacional de Belas Artes, recebendo prêmios e menções honrosas. Estudou com Cândido Portinari, na Universidade do Brasil, em meados dos anos trinta, com quem colaborou em obras como os murais azulejados e os painéis do auditório do Palácio Gustavo Capanema, no Rio, além da igreja da Pampulha em Belo Horizonte. Nessa ocasião, influenciada pelo mestre, sua obra adquire traços cubistas e expressionistas.

Jorapimo – José Ramão Pinto de Moraes (1937-2009) nasceu em Corumbá/MS. Em sua longa vida dedicada à pintura, conservou-se fiel aos princípios que lhe norteiam os caminhos artísticos. Um deles é a preservação da natureza, que aborda de diversas maneiras, de acordo com os ângulos analisados pelo espectador. É um autêntico pioneiro das artes sul-mato-grossenses, foi dos primeiros a abrir um ateliê de pintura no Estado. Participou da Primeira Exposição dos Artistas Mato-Grossenses, em 1964, e da criação da Associação Mato-Grossense de Artes, em 1967.

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Obra de Jorapimo que faz parte do acervo permanente do Marco

Wega Nery (1916-2007) foi pintora, desenhista e gravadora, nascida em Corumbá/MS, estudou pintura e desenho na Escola de Belas Artes de São Paulo e, posteriormente, com Joaquim Rocha, Yoshica Takaoca e Samson Flexor. Integrou o Grupo Abstração e participou de importantes exposições, entre elas a Bienal de São Paulo. Segundo Aline Figueiredo, Wega abandona a figuração em sua pintura aderindo ao abstracionismo geométrico, chegando ao abstracionismo lírico e informal em 1962, designando suas pinturas de “paisagens imaginárias”.