Governo do Estado de Mato Grosso do Sul

Marco – I Temporada de Exposições 2014

Março a Junho

Exposição: Nos Caminhos Afro
Artista: Pierre Verger

Itinerância: Exposição Nos Caminhos Afro chega a Campo Grande (MS)
composta por fotografias em preto e branco de Pierre FatumbiVerger.

De notável qualidade plástica, as fotografias que compõem a exposição revelam a proximidade de povos de origem afrodescendente com o continente-matriz, a África. São registros sobre o cotidiano, a cultura e a religiosidade de descendentes de africanos no Brasil e em mais de 20 países. Nos Caminhos Afro é um convite a uma viagem no tempo com destino às sutilezas e às peculiaridades do universo interpretado por um fotógrafo-viajante, que realizou longas expedições de 1932 a 1970. O interesse de Verger pelo povo de origem africana o levou a destinos como Cuba, Haiti, Serra Leoa, Santo Domingos, Estados Unidos etc.

Além das fotografias, os visitantes podem assistir dois vídeos. São eles: Olhares Nômades (2005) e Mensageiro entre dois mundos (1999). O primeiro é composto por trilha sonora original e 600 fotografias sobre cultura popular nordestina. Já o segundo trata-se do documentário de Lula Buarque de Holanda, no qual Verger aparece em sua última entrevista antes de morrer, feita pelo artista Gilberto Gil.

A exibição da exposição Nos Caminhos Afro em Mato Grosso do Sul marca a terceira etapa de um projeto de itinerância que percorrerá quatro cidades brasileiras até 30 de novembro de 2014. Antes de chegar à Campo Grande, a exposição foi vista por mais de sete mil pessoas em Campina Grande, na Paraíba, onde ficou em cartaz durante três meses no Museu Assis Chateaubriand (MAC-UEPB) e em Teresina, no Piauí, exibida recentemente no Museu do Piauí – Casa de Odilon Nunes. Após temporada no Mato Grosso do Sul, a mostra seguirá para Goiânia (GO), último destino da itinerância. Para o curador da exposição, Alex Baradel, a escolha dos destinos foi fundamental no processo de montagem do projeto. “Escolhemos cidades que receberão uma exposição de Verger pela primeira vez. Fizemos questão de mapear museus fora do eixo Sul-Sudeste, que, por tradição, já recebem grandes exposições”, explica.

Antes da itinerância, Nos Caminhos Afro foi exibida pela primeira vez em 2012, em Vitória (ES), onde foi vista por mais de cinco mil pessoas. O projeto de itinerância é uma realização da Fundação Pierre Verger com financiamento da Petrobras por meio do Programa de Incentivo Petrobras Cultural. Em Teresina, o projeto conta ainda com apoio do Museu do Piauí – Casa de Odilon Nunes e da Fundação Cultural do Estado do Piauí (FUNDAC).

A exposição
Com maestria de quem faz da fotografia não apenas um ofício, mas uma expressão artística, Pierre Fatumbi Verger registrou cenas que convergem com o que há de mais genuíno no continente-mãe, com leveza de quem retrata a vida por vocação, enxergando beleza em atos do cotidiano despercebidos ao olhar comum.

As imagens da exposição Nos Caminhos Afro revelam singularidades, como Tambor de Mina, no Maranhão, Xangô, em Pernambuco, Candomblé, na Bahia, feiras, mercados e festas populares, um vasto leque sobre o cotidiano do povo negro. Qualidades tão africanas registradas em uma época na qual imperava uma cultura europeia dominante e opressora. A obra em exibição é resultado da vivência pessoal como fotógrafo-viajante, que se tornou antropólogo não assumido, babalorixá não atuante.

O autor
Embora nascido em uma família europeia burguesa, Verger optou por uma vida simples,  diferente da sua origem. Longe de casa, dedicou-se integralmente à fotografia, à pesquisa e à religião de matriz africana, realizando ao longo da vida um trabalho fotográfico de grande importância, baseado no cotidiano e na cultura popular de povos dos cinco continentes. Como pesquisador, escreveu diversos livros sobre cultura afro-baiana e a diáspora, voltando seu olhar de pesquisador para o candomblé, foco de interesse da sua obra.

Em 1953, Verger viveu na África o “renascimento” a partir de uma iniciação religiosa, recebendo o nome de Fatumbi. Significa “nascido de novo graças ao Ifá”. A intimidade com a religião de matriz africana, experiência iniciada na Bahia, facilitou o contato com sacerdotes e autoridades na Bahia e na África. Como um mensageiro, Verger levava e trazia informações, mensagens, objetos, criando uma rota de pesquisa que ligava a origem ancestral à cultura e aos cultos praticados no Brasil. Foi iniciado como babalaô – um adivinho através do jogo do Ifá, com acesso à tradição oral iorubá.

De 1930 até o início da década de 1940, Verger realizou longas viagens ao redor do mundo. Polinésia Francesa, Japão, Camboja, Índia, Portugal, Espanha, Bolívia, Argentina são alguns lugares fotografados por Verger. Em 1946, desembarcou na Bahia pela primeira vez e logo foi seduzido pela hospitalidade e pela riqueza cultural encontrada em Salvador. Em terras baianas, Verger adotou não apenas nova residência, mas um estilo de vida. Conviveu com trabalhadores do porto, lavadeiras, capoeiristas, e artistas como Carybé, Mário Cravo e o escritor Jorge Amado.

Dos anos 1960 até sua morte em 1996, morou em uma casa simples, de cama estreita e poucos móveis, onde atualmente funciona a Fundação Pierre Verger. Escolheu um bairro popular, desenhado por vielas e saliente ladeira. No total, a obra de Verger abrange mais de 60 mil fotografias e inúmeros livros, acervo disponível para visitação na Fundação.
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Exposição: O Novo Romantismo Inglês
Artista: John Hyatt

A exposição, O Novo Romantismo Inglês, pinturas do inglês John Hyatt revelam a mente, a pesquisa, a reflexão e a prática de um artista curioso e inquieto sobre o novo romantismo na Inglaterra, tendo a cidade de Manchester como base para os seus trabalhos.

Hyatt tem viajado para além dos limites do conhecido e acabou submergindo no universo da arte em uma explosão sensorial da imaginação. Esta exposição traz os achados, os objetos e as narrativas deste inquieto artista celebrando sua aventura criativa onde serão discutidos os mitos do herói aventureiro, o malandro e a real necessidade de tais valores.

Considerado uma figura internacional respeitada como artista, foi diretor do Departamento de Belas Artes Na Universidade Metropolitana de Manchester entre 1991 e 2002, sendo um dos professores mais jovens do Reino Unido. John comandou em 1998 o ISE, Simpósio Internacional de Artes Eletrônicas de Liverpool/ Manchester, o  maior evento de arte da nova tecnologia global do Reino Unido.

Atuou para transformar a “cena artística” de Manchester em lugar vibrante e ativo como ela é atualmente. Os trabalhos de John Hyatt já foram exibidos na Austrália, no Extremo Oriente, nos Estados Unidos e na Europa ao longo dos últimos trinta anos.

 

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Exposição: Plano B
Artista: Ana Ruas

“A obra de Ana Ruas como um todo se elabora a partir de questões próprias da linguagem da pintura, às quais a artista busca resolver, ora preenchendo pequenas ou grandes telas em séries, ora recobrindo muros ou, ainda, se divertindo com o jogo do palimpsesto nas paredes de seu atelier. Em todas essas possibilidades, busca respostas para as relações entre as formas e as cores, o tempo e o espaço, a tela e o texto, o atelier e a cidade.”

“O desejo de intervir no olhar domesticado e dotar a cidade com novas perspectivas, pelo menos do ponto de vista das cores, leva a artista a criar arquiteturas efêmeras. São as intervenções realizadas em viadutos, paredes cegas ou muros, capazes de imprimir um caráter de ilusão e magia apagando momentaneamente a superfície-objeto como realidade. O mesmo ocorre nas intervenções em ambientes internos, como museus e galerias.”

“Nas paredes, Ana se dedica também ao jogo entre a forma e a memória do desenho. O que estava materialmente inscrito perde contornos e nitidez e se torna mais um registro, um “instantâneo-eterno”. Mantém,  deste modo, um experimento no tempo e no espaço, um palimpsesto, uma forma velada e que, ao mesmo tempo, sempre poderá voltar à cena como reminiscência.”

“São, antes de tudo, pinturas liberadas de qualquer finalidade prática, mas que, aliadas ao embrutecimento provocado pelo hábito, criam novas sensações e, portanto,  recobrem o espaço de novos significados.”
Maria Adélia Menegazzo,2011

PLANO B, Ana Ruas/2014
Classifico este espaço como sala número UM. É um dos espaços curiosos que eu mais aprecio do MARCO. Talvez seja, porque ele me provoca!

Apresento o PLANO B. Inicialmente, fiz um levantamento, uma espécie de inventário para revelar o que às vezes queremos esconder. Mostrar, acima de tudo, que este espaço não é pequeno como parece. Tenho vários planos!
Ana Ruas/2014

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