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Fundação de Cultura de MS e Sectei participam do Seminário Campo-Grandense de Artesanato

Campo Grande (MS) – Começou na manhã desta sexta-feira, na sede do Instituto Histórico e Geográfico de MS, o Seminário Campo-Grandense de Artesanato. A realização é da Prefeitura de Campo Grande e ONG Vitória Régia. A Secretaria de Cultura, Turismo, Empreendendorismo e Inovação e a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul participam como convidadas, com duas palestrantes: a gestora de Desenvolvimento de Atividades Artesanais (FCMS), Katienka Klain, e a superintendente de Economia Criativa (Sectei), Cláudia Medeiros.

O evento foi iniciado com a vice-presidente da Ong Vitória Régia, Leda Brum, que falou sobre o objetivo do evento. “A proposta é fazer com que os artesãos reflitam sobre alternativas para o sucesso comercial de sua forma de arte, de forma a tornar o segmento cada vez mais organizado e rentável”.

Ela enxerga o seminário como uma oportunidade de entender as ideias dos artesãos, as facilidades e desafios do contexto regional, bem como trabalhar a identidade do artesanato por meio de apoio institucional. “É importante que nossos olhares estejam voltados para o artesanato como trabalho e geração de renda e que a partir dessa perspectiva se planejem ações que fomentem cada vez mais a atividade em Campo Grande”.

Logo após foi exibido um vídeo-palestra de Telis Maciel, artesã de Sete Lagoas, que não pôde comparecer ao evento. Neste vídeo, Telis fala sobre a importância da gestão e diferenciação no artesanato. “O artesanato trabalha com o emocional, o intangível. O cliente compra artesanato por emoção. É importante mostrar a ele o que está inserido naquele produto. O artesão coloca muito de si, como carinho, apreço, cuidado. A diferenciação se dá com os vários recursos que se tem na região e o artesão constrói todas as riquezas da peça. A gestão é o que vai dar aquela virada no aumento da produção”.

Cláudia Medeiros falou sobre cultura para o desenvolvimento. “O artista está sempre à frente. É ele que rompe os paradigmas. A valorização da cultura pantaneira é o grande desafio da região”. Ela disse que é necessário desenvolver ações estratégicas do empoderamento da cultura pantaneira em Mato Grosso do Sul adotando-a como um dos principais patrimônios de Mato Grosso do Sul.

Cláudia citou a Economia da Cultura, do termo de referência do Sistema Sebrae, como a criação, produção, circulação, difusão e consumo de bens e serviços culturais com sua dimensão produtora de riquezas, de renda, emprego, negócios e de divisas nas diversas cadeias produtivas. Ela apresentou as ações do eixo da Economia da Cultura: reconhecimento das vocações e identidades; políticas públicas; acesso a financiamentos e serviços financeiros; promoção de negócios; inovação, tecnologia e aprendizagem e capacitação empreendedora.

Ao fim de sua palestra, a superintendente de Economia Criativa da Secretaria de Cultura colocou-se à disposição para responder perguntas e tirar dúvidas dos presentes e incentivou os artesãos a participarem do edital de Economia Criativa da Sectei.

A seguir, Katienka Klain falou sobre produção e comercialização do artesanato. “É necessário identificar qual a cultura de cada Estado. Em Mato Grosso do Sul tem o Pantanal e a segunda maior população indígena do país. Precisamos saber como vamos expressar essa identidade no produto”.

Ela falou também sobre a necessidade de identificar o mercado para o qual se trabalha. “Existe o mercado local e o nacional. É preciso conhecer o mercado, o que as pessoas estão procurando, como elas identificam Mato Grosso do Sul. O artesão deve criar a história do seu produto. Sua peça é única porque é artesanato. O governo tem a obrigação de apoiar o artesanato porque reflete a cultura e representa o Estado”.

A artesã Bruna Gonçalves confecciona sabonetes e peças em MDF, como oratórios e caixas de presentes, há um ano. Ela começou a atividade como segunda renda e agora só trabalha com artesanato. “Estou tentando entrar nas feiras agora. O seminário está me ajudando bastante”.

Bruna faz Engenharia Ambiental e pretende trabalhar apenas como artesanato sustentável. “Essa é minha meta. Pretendo não mais comprar o material, mas trabalhar com o que iria para o lixo, como pet e jornal”.
O casal Josué e Teresa Veloso trabalham com luminárias em PVC e mosaico há três anos, mas só começaram a expor esse ano. “Éramos empresários, a empresa faliu e hoje só trabalhamos com artesanato, sobrevivemos com o que sabemos fazer. Antes fazia por hobby, para dar de presente, hoje se tornou profissão”, diz Josué. Ele participa do seminário pela vontade de expandir a atividade, principalmente participando das feiras. Seus produtos já foram comprados por turistas do Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Paraguai. Eles vendem seus produtos toda quinta-feira na Orla Morena.

O Seminário Campo-Grandense de Artesanato é aberto ao público e continua neste sábado pela manhã, no Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, que fica em frente à Explanada Ferroviária. Paralelo ao evento, acontece a Feira de Artesanato, das 16 às 22 horas, na Explanada Ferroviária.