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Fundação de Cultura cadastra internos da Máxima para receberem carteira do artesão

  • 10 ago 2016
  • Categorias:Geral
Foto Edemir Rodrigues (1) (1)

O vislumbre da liberdade por meio do artesanato motiva internos. Foto: Edemir Rodrigues

 

Campo Grande (MS) – Na manhã desta sexta-feira (10/08) técnicas da Gerência de Desenvolvimento Atividades Artesanais da Fundação de Cultura, Rejane Benneti e Rafaela Fraiha cadastraram 23 internos do Estabelecimento Penal de Segurança Máxima de Campo Grande para receberem a Carteira Nacional do Artesão.

 

Para os internos fazer artesanato além de ocupar o tempo ocioso também é uma oportunidade de remissão de pena, uma vez que a cada três dias confeccionando arte diminui um dia da pena. Já para a instituição penal é uma forma de manter e incentivar o bom comportamento dos internos.

 

Davi Sales, de 39 anos e há três cumprindo pena, disse que ria quando via as irmãs fazendo crochê, e dizia para elas irem trabalhar. “Hoje acontece o contrário elas é que riem de mim, quando me vêem crochetando” disse ele às gargalhadas e emenda , “melhor que ocupa a cabeça, é uma terapia, melhor do que pensar em coisa ruim, até quando estou triste começo a fazer crochê para me distrair”. Davi também é cabeleireiro dentro do presídio, mas também que faz artesanato para ajudar a família com a renda obtida com o trabalho feito, que é cerca de 300 reais por mês.

Foto Edemir Rodrigues (2)

“É boim, ocupa a mente e ainda ajudo minha familia”, diz Luiz Silva

Já para o interno Luiz Francisco Lima da Silva, de 29 anos, o artesanato é mais do que ocupar o tempo ocioso, “aqui eu aprendi a fazer artesanato como forma de remir a pena, a cada três dias, diminui um.” Silva está prestes a sair do estabelecimento penal, acredita que no ano que vem já vai para o regime semi-aberto e está contando os dias para que isso aconteça, já que tem quatro filhos e uma esposa lhe esperando. Enquanto isso vai produzindo lindas peças de crochê, chegando a fazer uma média de 10 por mês.

 

E não são só os internos que ganham fazendo arte, o estabelecimento penal também. Com cerca de 80 internos fazendo artesanato, geralmente crochê, “o artesanato é um ponto positivo, geralmente eles não apresentam problema disciplinar”, aponta o agente penitenciário Flávio Rodrigues Marques que trabalha há oito anos dentro do estabelecimento penal. “Dá um incentivo aos outros internos a manterem bom comportamento”, afirma Marques, que ainda diz que muitos querem ir para o artesanato para depois também poderem executar outras funções dentro da instituição, como a cozinha, por exemplo.

Foto Edemir Rodrigues (3)

A emissão da carteira nacional do artesão reduz e até isenta ICMS.

O portador da Carteira Nacional do Artesão tem isenção no imposto (ICMS) do artesanato comercializado dentro do Estado, e redução de 17% para 11% quando for para fora de MS. No próximo dia 14 de agosto as técnicas estarão no município de Coronel Sapucaia realizando esse cadastramento com os artesãos locais.