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FCMS realiza o XI Simpósio Estadual de Educação Patrimonial e I Seminário Municipal do Patrimônio Cultural de Corumbá

Campo Grande (MS) – A Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) em parceria com a Prefeitura Municipal de Corumbá realiza o “XI Simpósio Estadual de Educação Patrimonial e I Seminário Municipal do Patrimônio Cultural de Corumbá”. Com palestras e oficinas, o evento acontece de forma virtual entre os dias 16 a 20 de agosto em Campo Grande e nos dias 23 e 24 de agosto em Corumbá.

“O encontro tem o intuito de envolver e auxiliar os participantes na compreensão aprofundada da preservação do Patrimônio Cultural por meio de abordagens e conceitos acerca da importância da zeladoria e curadoria na preservação e salvaguarda do Patrimônio Cultural”, explica o gerente de Patrimônio Histórico e Cultural da FCMS, Caciano Lima. Ainda segundo ele, este trabalho visa contribuir para a formação critica reflexiva dos cidadãos sul-mato-grossenses, colaborando para o fortalecimento cultural de Mato Grosso do Sul. O Simpósio Estadual, já em sua 11ª edição, é organizado anualmente pela Fundação de Cultura de MS na segunda quinzena do mês de agosto, em comemoração ao Dia Nacional do Patrimônio Cultural, celebrado no dia 17 de agosto, data do nascimento de Rodrigo Mello Franco, primeiro presidente do IPHAN.

Com o tema “Técnicas e Ofícios no Patrimônio Cultural Edificado de Mato Grosso do Sul” o simpósio terá como palestrante o conservador e restaurador Antônio Sarasá, profissional formado em Administração pela Universidade São Marcos (1991) e diretor do Estúdio Sarasá Conservação e Restauração. Ele também é idealizador da Zeladoria do Patrimônio Cultural, no Museu de Arte Sacra de São Paulo (2003) e promove exposições públicas, propostas culturais e iniciativas à gestão da cultura, desde então, com essa postura de preservação e zelo. Capitaneia o Estúdio Sarasá, empresa especializada em conservação e restauração do Patrimônio Histórico Cultural, atuante nas áreas de consultoria, projetos, intervenções de conservação e restauro, zeladoria e pesquisa. Cultua a tradição familiar das artes e ofícios vinda da Catalunha, referência na produção artística nos ofícios de azulejaria e vitrais, laborando à mantença das técnicas e saberes tradicionais. Atua ainda como membro da Associação Brasileira de Conservadores Restauradores de Bens Culturais (ABRACOR) e da Associação Paulista de Conservadores e Restauradores (APCR), participou da elaboração do Código de Ética do Conservador Restaurador.

Programação em Campo Grande

As oficinas trabalharão como temática os saberes e fazeres tradicionais, a identidade cultural e a difusão da memória e a qualificação do pensamento e da iniciativa cidadã. “Queremos sensibilizar acerca do patrimônio edificado e imaterial. Os participantes das oficinas serão inseridos e estimulados ao contexto da preservação, tendo como base os processos naturais e artificiais de degradação”, destacou Lima. A Zeladoria do Patrimônio Cultural será abordada também como instrumento de transformação humana, de organização social e cultural e ferramenta de gestão motivando à proteção de bens e memórias individuais e coletivas.

O formato das oficinas em Campo Grande será remoto, transmitidas pelo Facebook e Youtube da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, considerando o advento da COVID 19, e respeitará as designações quanto à segurança, higiene e saúde dos participantes.

No dia 16, as oficinas realizadas em Campo Grande que terão como tema a preservação do patrimônio cultural edificado, abordarão os conceitos teóricos e metodológicos da zeladoria de bens edificados além de tratar sobre o papel das instituições e da sociedade na preservação desses patrimônios. Com isso, o ministrante busca apresentar subsídios para os participantes, no que diz respeito à compreensão das degradações e dos processos de manutenção, preservação, recuperação e ressignificação das edificações.

No segundo dia, 17 de agosto, as oficinas proporcionarão também abordagens relativas a métodos construtivos tradicionais e tipos de materiais empregados para construções em edificações históricas, assim como as ferramentas, tecnologias e técnicas empregadas.

No dia 18, os ministrantes pretendem promover reflexões sobre o patrimônio edificado em Mato Grosso do Sul, destacando aqueles presentes nas cidades de Campo Grande, Corumbá e Ponta Porã, observando assim aspectos da vivência e convivência da sociedade nestes espaços históricos.

No dia 19 a abordagem terá como premissa a utilização da cal em edificações, tratando do ciclo deste material, suas características e os variados métodos e técnicas de utilização, tratando ainda do uso de cimento, argamassas e variados tipos de manutenção de fachadas edificadas.

Finalizando a programação em Campo Grande, no dia 20 de agosto, os ministrantes apresentarão as técnicas de acabamento em edificações históricas que utilizam pinturas à base de cal, tratando sobre os tipos de pigmentação utilizados em processos de restauro com este material.

I Seminário Municipal do Patrimônio Cultural de Corumbá

Com o tema Entre Guerras e Bênçãos: A Construção do Patrimônio Cultural Corumbaense” o I Seminário Municipal do Patrimônio Cultural de Corumbá vai enfatizar a importância dos patrimônios culturais Forte de Coimbra e Banho de São João.

O Forte está localizado no município de Corumbá em Mato Grosso do Sul, e foi reconhecido como patrimônio cultural brasileiro em 1974, quando foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN e inscrito no Livro do Tombo Histórico e no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. Ele foi construído em 1775, às margens do Rio Paraguai, e situa-se entre morros, pouco acima onde existe o marco da tríplice fronteira – Brasil, Paraguai e Bolívia – entre os pantanais de Corumbá e Porto Murtinho.

Sua construção, numa época de total fragilidade dos limites de Portugal com a Espanha, gerou polêmica, ao ser erguido em local errado. O ponto escolhido era o Fecho dos Morros, já próximo de Murtinho. Credita-se a Nossa Senhora do Carmo milagres ocorridos durante as batalhas contra espanhóis e paraguaios, em 1801 e 1864, respectivamente.

Banho de São João de Corumbá e Ladário

O Banho de São João, reconhecido pela Fundação de Cultura de MS desde 2010 como Patrimônio Imaterial de Mato Grosso do Sul, foi este ano reconhecido também como Patrimônio Imaterial do Brasil. A aprovação nacional do registro aconteceu em 19 de maio de 2021 durante a 95ª Reunião do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Com o registro, o estado de Mato Grosso do Sul passou a ter um bem imaterial exclusivamente registrado em seu território.

O Banho de São João é uma manifestação cultural religiosa e festiva que acontece na virada do dia 23 para o dia 24 de junho. De acordo com o ritual a imagem do santo é levada em procissão até o Porto Geral, às margens do rio Paraguai, para o banho que irá renovar as forças de São João e abençoar tudo o que se relaciona com as águas e com o homem.

Os primeiros registros do Banho de São João em Corumbá e Ladário são datados do final do século XIX em jornais da época que já relatavam a forma singular dos festejos juninos nas duas cidades pantaneiras.  Estudiosos afirmam que os festejos reúnem uma miscelânea de influências de povos, entre eles, os árabes e portugueses. Também marcam os festejos, o sincretismo religioso, sobretudo entre o catolicismo e as religiões de matrizes africanas. Somente em Corumbá, atualmente, pelo cadastro da Fundação da Cultura e do Patrimônio Histórico há pelo menos quase cem festeiros no território urbano. 

Programação em Corumbá

Em sua abertura (23/08) o evento vai contar com a apresentação de Viola de Cocho com professora da Rede Municipal e Estadual de Ensino, Leidiane Garcia, e seus alunos. Na palestra “Elaboração do Dossiê de Registro do São João” José Gilberto Rozisca, vai demonstrar como aconteceu todo o processo de registro do Banho de São João de Corumbá e abordará sobre os festeiros, a fé, a diversidade de religiões, entre outros assuntos. No mesmo dia será exibido o vídeo-documentário “Filhos de Coimbra”, haverá a palestra: O Forte Coimbra e seu contexto Histórico Paisagístico com o pesquisador Fabio Almeida e o lançamento do livro “Prática de Salvaguarda do Forte Coimbra”, que terá a mediação da Presidente do Conselho Municipal de Política Cultural de Corumbá, Marcelle de Saboya Ravanelli.

No dia 24 vai ser um dia de vivências de educação patrimonial na Praça da República, Ladeira Cunha e Cruz e no Muphan. Na Ladeira Cunha e Cruz aconteceu o final da Guerra do Paraguai, e é o ponto alto dos festejos do Banho de São João com as descidas dos andores pela ladeira. Na ocasião a arquiteta Joanita Ametlla falará sobre a praça da república e seu entorno, uma das regiões mais importante para o patrimônio cultural de Corumbá, pois reúne importantes prédios históricos como a primeira igreja do Estado de Mato Grosso, a Matriz Nossa Senhora da Candelária, o primeiro grupo escolar de Corumbá, conhecido como ILA, o primeiro mercado municipal, onde hoje é o lugar das Lojas Americanas e sobre o Obelisco. A historiadora Ramona Ortiz vai contextualizar a ocupação do Casario do Porto, uma área que era estritamente comercial. Em seguida acontece um cortejo com uma banda até o Porto Geral de Corumbá com Banho de São João, onde haverá também o levantamento do mastro com mestres cururueiros e uma roda de siriri.

O evento será finalizado com a abertura oficial do III Festival de Viola de Cocho de Corumbá que reproduzirá vídeos nas escolas municipais onde se trabalhará de diversas formas as práticas relacionadas ao modo de fazer a viola-de-cocho além da Cozinha Show que detalha a história e o processo de produção gastronômica do sobá, prato tão importante para a cultura campo-grandense, registrado como Patrimônio Cultural campo-grandense desde 2006, e que também foi eleito em votação de 2018 como o “Prato Típico de Campo Grande”.

A Cozinha Show contará com a presença de Helcio e Marlei Kohagura, casal que produz massa para preparo do sobá okinawano/campo-grandense. “A receita remonta à avó de Helcio Kohagura, Maria Haruco Kanashiro, que fazia a massa para consumo da família. Os pais de Hélcio, Hélio Koragura e Tereza Hatsue Koragura iniciaram a produção da massa para distribuição, a qual segue com Hélcio e sua esposa Marlei, que acompanhados de sua família, chegaram na quarta geração desta massa de origem okinawana”, finalizou Caciano Lima.

As inscrições para o “XI Simpósio Estadual de Educação Patrimonial e I Seminário Municipal do Patrimônio Cultural de Corumbá” podem ser feitas pelo link bit.ly/SimpósioPatrimônioCultural2021

Acompanhe a programação:

CAMPO GRANDE/MS – 16 a 20 de Agosto

“Técnicas e Ofícios no Patrimônio Cultural Edificado de Mato Grosso do Sul”  

16/08 – Segunda-feira

Manhã

  • 7h30

Abertura Oficial pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.

  • 8h

Palestra de abertura “A Preservação do Patrimônio Cultural Edificado: a Zeladoria como caminho possível” (Antônio Sarasá).

  • 9h

Introdução ao Patrimônio Cultural (Flávia Sutelo e Magda Rosa).

Tarde

  • 13h

A Zeladoria do Patrimônio Cultural (Flávia Sutelo, Antônio Sarasá e Magda Rosa); A Zeladoria: o olhar e os movimentos – história e evolução; Reflexões sobre o Patrimônio Cultural Edificado e Imaterial – quem protege? A valorização humana no processo da cultura – o edifício construído pelo homem, habitado pelo homem e protegido pelo homem; Ciclo dos materiais – do Natural ao Cultural, do Cultural ao Natural; Compreensão das degradações das edificações históricas, posturas de restabelecimento e diretrizes ao salvamento; Respeito à disposição dos equipamentos e das características históricas inerentes; Posturas da Zeladoria.

17/08 – Terça-feira

Manhã

  • 7h

Métodos Construtivos Tradicionais: ensinamentos memoráveis (Magda Rosa e Antônio Sarasá); Recursos naturais disponíveis e a sabedoria do uso da terra, do uso da madeira e do uso da pedra; Materiais, técnicas, soluções; Alvenarias (Magda Rosa); Azulejaria (Antônio Sarasá).

Tarde

  • 13h

Coberturas (Magda Rosa); Vitral (Antônio Sarasá). 

18/08 – Quarta-feira

Manhã

  • 7h

Técnicas construtivas tradicionais, ferramentas, instrumentos, tecnologias e o humano na construção e preservação do patrimônio (Flávia Sutelo e Antonio Sarasá); O Restauro: ferramentas, instrumentos, tecnologias; A Zeladoria: o humano na preservação do patrimônio; A Zeladoria para o Restauro – caminho possível?

Tarde

  • 13h

Reflexões acerca das cidades de Corumbá, Ponta Porã e Campo Grande (Antônio Sarasá); Formação do território, processo histórico, a configuração atual e a herança cultural; Caminhos nativos, caminhos construídos; Viver com no patrimônio cultural edificado: desafios e perspectivas; Pensar a Cidade em diferentes tempos e olhares; Objetos arquitetônicos como expressão artística; A Conservação Preventiva

A construção do futuro da Memória: quais os sustentáculos? Estabilidade e Durabilidade das edificações (pensar os imóveis das Vilas Operárias de Ponta Porã e Campo Grande, as edificações do conjunto urbano de Corumbá, dentre outros); A Retomada da Zeladoria: o empoderamento como mecanismo de preservação; O ferro na construção: técnicas, ferrovias, caminhos. 

19/08 – Quinta-feira

Manhã

  • 7h

A Cal (Antônio Sarasá); O que é, seus usos e a lida com o material; Histórico, Características e Tipos de Cal; A Cal na edificação do Patrimônio Cultural; A Cal na preservação do Patrimônio Cultural; Transmissão dos saberes; O Homem e a relação com a construção e uso das ferramentas para trabalhar as Argamassas.

  • 10h

Demonstração do conteúdo e preparação para as Oficinas Práticas (Magda Rosa).

Tarde

  • 13h

Oficina prática de Argamassa à base de Cal (Antônio Sarasá); O ciclo da Cal, traços e consistência; A água, o leite e a pasta de Cal; A aplicação de argamassas à base de Cal – técnicas e funções; O Cimento; Fachadas Históricas: proteções, limpeza e higienização; Apresentação de ferramentas para trabalhar as Argamassas; Panos lisos, frisagens, ornatos – formas e elementos artísticos aplicados e integrados; Trabalhabilidade da Argamassa, tempos de preparo e cura; Argamassas de Acabamento e Proteção; Limpeza e consolidação de Argamassas à base de Cal. 

20/08 – Sexta-feira

Manhã

  • 7h

A pintura à base de Cal (Toninho Sarasá); Caiação – preparação e aplicação

Composições e funções; Os Pigmentos – história e tipos; Acabamentos – afresco, esgrafito, marmorizado, escaiola Argamassas Pigmentadas; Intervenções cromáticas no Patrimônio Cultural.

  • 10h

Demonstração do conteúdo e preparação para as Oficinas Práticas (Magda Rosa).

Tarde

  • 13h

Oficina de Pintura à base de Cal (Toninho Sarasá); Construção da Paleta de Cores.

            

CORUMBÁ/MS – 23 a 24 de Agosto

Entre Guerras e Bênçãos: A Construção do Patrimônio Cultural Corumbaense”.

23/08 – Segunda-feira – 8h 

Local: Centro de Convenções – Credenciamento (virtual)

  • Abertura Oficial – Quebra torto e Apresentação Viola de cocho – Leidiane e Alunos
  • Palestra: Elaboração do Dossiê de Registro do São João – José Gilberto Rozisca e convidado do IPHAN

Horário: 13h30: Vídeo-Documentário “Filhos de Coimbra”

  • Palestra: O Forte Coimbra e seu contexto Histórico Paisagístico – Me. Fabio Almeida
  • Lançamento do livro: Prática de Salvaguarda do Forte Coimbra – Ten. Mariano. Mediação: Marcelle de Saboya Ravanelli

24/08 – Terça-feira – 7h30

Local: Praça da República, Ladeira Cunha e Cruz e Muphan.

  • Fala sobre Educação Patrimonial – Arq. Joanita Ametlla e Hist. Ramona Ortiz
  • Cortejo e Banho de São João no Porto Geral de Corumbá
  • Levantamento do Mastro – Mestres Cururueiros, Roda de Siriri no Porto Geral de Corumbá e Abertura Oficial do III Festival de Viola de Cocho de Corumbá

Local: Orla do Porto Geral de Corumbá – 14h

  • Cozinha Show com degustação – Registro do Sobá, com Helcio e Marlei Kohagura e Mediação: Douglas Silva.

 

Publicado por: Gisele Colombo