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FCMS inova com interações virtuais na 18ª Semana Nacional de Museus

Campo Grande (MS) – Na 18ª Semana Nacional de Museus, que aconteceu de 18 a 25 de Maio, com o tema “Museus para a Igualdade: Diversidade e Inclusão”, contou com a participação da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) e de outros museus de Mato Grosso do Sul totalmente sintonizado com os novos tempos da pandemia do novo coronavírus. Representantes de diversas instituições se encontraram com o público virtualmente em eventos transmitidos ao vivo pelas redes sociais da FCMS: Facebook e Instagram. As mesas temáticas tiveram a participação de intérpretes de libras nas lives.

Sob a coordenação do Sistema Estadual de Museus de MS, participaram dos eventos museus e instituições públicas e privadas do Estado: Arquivo Público Estadual de MS; Museu da Imagem e do Som – MIS; Museu de Arte Contemporânea – MARCO; Museu de Arqueologia – MuArq/UFMS; Museu das Culturas Dom Bosco – MCDB/UCDB; Museu José Antônio Pereira; Subsecretaria de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial – SubRacial/MS; Subsecretaria de Políticas Públicas para a População Indígena – SPPPI/MS; Subsecretaria de Políticas Públicas LGBT – SubLGBT/MS; Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD e Fertel.

A mesa temática “Inclusão dos grupos sociais e seu acesso à cultura”, contou com a presença da Diretora-Presidente da FCMS, Mara Caseiro, do Prof. Esp. Douglas Alves da Silva, do Prof. Me. Dirceu van Lonkhuijzen (MCDB/UCDB), Prof.ª Lia Brambilla (MuArq/UFMS) e de Frank Rossatte (Subsecretaria de Políticas Públicas LGBT). Neste encontro os convidados apresentaram algumas ações de suas instituições no âmbito dos museus e foi dado destaque à responsabilidade social dos museus em dar acesso a novos públicos e levar a sociedade a refletir sobre os temas atuais da sociedade e dar voz às diversas comunidades locais. Destacou-se ainda a importância da comunicação virtual em tempos de pandemia para que as instituições culturais não parem. “Este é um momento que temos que nos reinventar para dar continuidade ao nosso trabalho”, lembrou a diretora presidente da FCMS, Mara Caseiro.

Na live Cinema LGBT+ , o jornalista, radialista e Critico de Cinema,Clayton Sales  teve uma conversa descontraída com Frank Rossatte (Subsecretaria de Políticas Públicas LGBT), sobre os filmes: O Florista – Filipi Silveira (MS) / Hoje eu quero voltar sozinho (BRA) / Uma Mulher Fantástica (CHI) / Azul é a cor mais quente (FRA). No encontro eles destacaram algumas realidades sofridas pela comunidade LGBT retratadas nas obras cinematográficas, não somente em aspectos negativos como violência e discriminação mas também as relações de afeto genuíno entre as pessoas desta comunidade.

A mesa temática “Museus em tempo de pandemia” levantou questões acerca da importância das parcerias entre as instituições para a execução de novos projetos de manutenção e ampliação dos acervos, de se digitalizar os acervos para dar maior acesso ao público uma vez que os museus também são um centro de informações e reflexões culturais e melhorar o acesso da rede digital a lugares onde a conexão não permite que novos atores sociais participem dos eventos virtuais promovidos pelos museus e entidades parceiras.

Destacou-se ainda os novos protocolos sanitários que os museus deverão seguir para receber o público pós-pandemia como a higienização dos locais de visitas e dos visitantes, entre outras ações. Participaram desta mesa o Prof. Dr. Carlos Eduardo Campos – FACH/MuArq/UFMS, a Prof. Me.Lia Brambilla – MuArq/UFMS, o Prof. Douglas Alves da Silva – Arquivo Público Estadual de MS e Prof. Me. Dirceu van Lonkhuijzen – Museu das Culturas Dom Bosco/UCDB.

Na live “Representação e Representatividade do Negro no Cinema”, o jornalista Clayton Sales conversou com Danielle Ferreira – Fundadora e Diretora Executiva da À Flor da Pele – Rede de Relações Institucionais e Saúde Mental, escritora, autora do livro “O Reino Perdido de Odara”. Dentre diversos assuntos, destacou-se a importância de se levar ao público produções cinematográficas que possuem pelo menos uma área de atuação técnica/artística assinada por uma pessoa negra, ou seja, obras produzidas, escritas, dirigidas ou protagonizadas por pessoas negras. A autora falou ainda sobre sua publicação “O Reino Perdido de Odara” que fala sobre a beleza da negritude, a força dos ancestrais e coloca Odara, uma menina que guarda eternidades no olhar como protagonista de sua própria história. Para Danielle, a descolonização do saber começa na infância.

Na live “Nativas Narrativas, cinema indígena no MS”,Marinete Pinheiro, jornalista, cineasta formada pela Escuela Internacional de Cine y TV de San Antônio de Los Baños (EICTV-Cuba) e Coordenadora do MIS-MS, conversou com Gilmar Galache – Videomaker, designer gráfico, montador e fotógrafo, idealizador da Ascuri – Associação Cultural dos Realizadores Indígenas sobre produção Audiovisual Indígena em MS. Galache falou sobre sua trajetória ao levar o olhar indígena para as telas e teve como mestre o cineasta boliviano  Ivan Molina, com quem aprendeu que o cinema indígena deve retratar os diversos aspectos da desta cultura  especialmente a linguagem.

A mesa temática “Rede Educadores de Museus –– Museus: espaços de inclusão para todos? Quem são os excluídos?” foi mediada pelo Prof. Esp. Douglas Alves da Silva e contou com a participação da Prof.ª Dr.ª Beatriz Landa (UEMS); da Prof.ª Dr.ª Jaqueline Zarbato (UFMS); da Prof.ª Me. Laura Pael (MuArq/UFMS) e do Prof. Me. Dirceu van Lonkhuijzen (MCDB/UCDB). Nela destacou-se a importância do investimento no setor educativo dos museus e na formação de educadores capacitados para o atendimento dos diversos públicos.

A educação patrimonial para aproximar a comunidade local às questões do pertencimento dos patrimônios culturais, a percepção dos atores culturais que foram historicamente excluídos dos museus como mulheres, indígenas, quilombolas e ribeirinhos além dos objetos dos acervos e a busca de parcerias com escolas e universidades para a ampliação dos públicos dos museus também foram reflexões abordadas pelos conferencistas, dentre outras temáticas.

 
Texto: Gisele Colombo