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Exposição sobre história de desfiles do carnaval campo-grandense foi aberta nesta quarta no MIS

Campo Grande (MS) – Uma noite de muito colorido e alegria para esquentar o ânimo dos foliões para o carnaval de Campo Grande. Assim foi a abertura da exposição “O sonho não pode acabar”, com fotografias que retratam a história do desfile das escolas de samba da Capital e com fantasias que vão estar presentes no desfile deste ano, na Praça do Papa. O evento aconteceu nesta quarta-feira (1º), no Museu da Imagem e do Som, e contou com a presença de diversas personalidades que fazem o carnaval campo-grandense.

Uma delas era o ritmista da Igrejinha e diretor de Comunicação da Escola, Claudio Luiz de Brittes, que estava representando a diretora Mariza Fontoura Ocampos. “É uma responsabilidade e grande comprometimento da velha guarda e atuais representantes que fazem o movimento da escola, que acontece o ano todo, para poder fazer o carnaval. O carnaval é o maior movimento cultural brasileiro, mesmo em Campo Grande, que não tendo essa cultura regional, a Igrejinha sempre se fez presente como a maior ganhadora do carnaval, com 23 títulos conquistados”, diz Claudio.

O presidente da Unidos da Vila Carvalho, José Carlos de Carvalho, também estava presente e disse que em todos os eventos que dizem respeito ao carnaval, a Escola está junto. “Queremos abrilhantar o carnaval, mesmo com o pouco espaço que temos, para não deixar morrer esta festa. O secretário de Cultura, Athayde Nery, não mede esforços para que não nos esqueçamos do nosso carnaval, que não começa em janeiro, mas em março, porque não é com 15, 20 dias que vamos fazer as fantasias. Carnaval é uma cultura negra e nós fazemos de tudo para que não esmoreça nem perca seu brilho”.

O diretor de carnaval e um dos fundadores da Escola de Samba Deixa Falar, Alan Catarinelli, disse ser um grande prazer para a escola dar sua contribuição para a história do carnaval. “Somos caçulas mas aprendemos muito com os mais antigos. Este ano vai ser nosso sexto desfile. Carnaval é um grande amor, alegria, a realização de um sonho. É tão difícil fazer carnaval, mas nós fazemos com muito amor. Como não temos a tradição, buscamos parceria com a Prefeitura e o Governo do Estado para fazer o carnaval e a comunidade da Vila Nasser nos ajuda bastante”.

Aparecida Gomes da Silva, a dona Cida, é viúva do fundador da Unidos do Cruzeiro, João Renato Pereira Guedes, o “Picolé”, e foi porta-bandeira e costureira da escola por 17 anos. “Para mim, os melhores desfiles foram na 14 de julho, era mais aconchegante, a gente via mais as pessoas. Você se sentia bem porque via as pessoas de perto, elas chamavam o nome do fundador da escola. O ‘Picolé’ era uma pessoa que fazia questão de sair convidando os outros, era muito alegre, gostava de dançar na avenida. Ele gostava de usar calça branca e camisa vermelha ou listrada de vermelha. Quando foi presidente da Liga fazia questão de ajudar todas as escolas de samba, não só a nossa. Hoje a gente precisa realmente de um sambódromo fechado para os desfiles”.

O presidente da Liga das Entidades Carnavalescas de Campo Grande (Lienca), Eduardo Souza Neto, falou que o principal objetivo da exposição é preservar a memória, fazer um resgate dos grandes nomes precursores e ratificar a tradição dos desfiles na Capital. “As pessoas acreditam que não há tradição, mas os desfiles existem desde 1960, têm público, são constantes e uma referência. Muitas escolas estão passando de geração em geração, algumas existem até hoje porque alguém da família deu continuidade, como é o caso da Cinderela e Vila Carvalho. A Liga é encarregada de coordenar e manter a tradição dos desfiles das escolas em Campo Grande. Nós falamos para as escolas terem essa preocupação com o acervo, pois isso é a história das escolas, pois hoje temos mais facilidade para filmar e fotografar”.

Eduardo também fala sobre que as escolas de samba são pura emoção. “Você faz por amor. O que nos impulsiona é a paixão. As escolas hoje têm consciência do seu papel social na sua comunidade. Somos agentes culturais, mas também sociais, pois trazemos benefícios às pessoas. Não basta crescer, é preciso se preparar para crescer”.

A coordenadora do MIS, Marinete Pinheiro, afirmou ser uma satisfação enorme o museu receber esta interessante exposição em parceria com a Lienca. “Ela traz a importância de as escolas se organizarem como história. Daí entra o trabalho do museu, de preservar a memória. Convido as pessoas a virem conhecer a exposição e até mesmo, de repente, se ver em alguma foto, às vezes as pessoas podem estar na arquibancada ou desfilando”.

A secretária de Cultura e Turismo de Campo Grande, Nilde Brum, disse que a exposição é de extrema importância, pois as pessoas precisam ser relembradas da história. “No nosso dia-a-dia, na correria, as pessoas acabam focando no futuro e perdem a história. Criticar é mais fácil do que ver a evolução, quem critica às vezes não conhece. Esta é uma ação importante para conhecermos nossa história”.

O secretário de Estado de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação e presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Athayde Nery, falou da importância de se apoiar o carnaval. “Dos 79 municípios do Estado, pelo menos 20 pediram apoio para o carnaval. É uma tradição. Se há uma cultura enraizada no Brasil é o carnaval, é genuína do povo brasileiro, que todo ano faz o congraçamento da cultura e da alegria para o mundo inteiro. Campo Grande se mobiliza, todos se sentem como que chamados por uma epidemia sagrada de fé e alegria”.

O secretário explica que este ano foi realizado todo um processo de construção institucional para o carnaval. “Campo Grande é um carnaval diferente, estão cada vez mais ensinando. É impressionante a alegria, o envolvimento dessas pessoas. Essa exposição é para mostrar de onde nós viemos e para onde vamos. Nós vamos fazer um belíssimo carnaval”.

A exposição vai ficar aberta para visitação até 3 de março, em horário comercial, no Museu da Imagem e do Som (MIS), que fica no Memorial da Cultura e da Cidadania (Avenida Fernando Corrêa da Cosa, 559). A entrada é franca.