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Boca de Cena: Seminário discute práticas e reflexões do Teatro para a Infância

  • 18 abr 2016
  • Categorias:Geral

As atividades da Boca de Cena – Mostra Sul-Mato-Grossense de Teatro e Circo 2016 já começaram a todo vapor! Na manhã desta segunda-feira (18), artistas do MS e representantes de outros segmentos estiveram presentes na sede do Teatral Grupo de Risco para o III Seminário Estadual de Teatro, com o tema “Teatro para a Infância: Práticas e Reflexões”.

Além das discussões dentro do tema, um caloroso debate sobre as responsabilidades e junções entre os setores da educação e da cultura pautou o seminário em boa parte do tempo. À frente do encontro, Clarice Cardell e Carlos Laredo (La Casa Incierta-Brasília/DF), Jair de Oliveira (diretor do Grupo Teatral Unicórnio, grupo homenageado por 30 anos de trabalho com teatro infantil), Andréa Freire, secretária adjunta da Secretaria de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação (Sectei), Fernanda Teixeira, presidente do Fórum Estadual de Cultura do MS (FESC) e Tânia Ferraciolli, representando a Associação Campo-grandense de Professores. Também marcou presença a especialista Daniela Small, do Rio de Janeiro, convidada pela Boca de Cena para fazer as críticas da Mostra.

A secretária adjunta da Sectei, Andréa Freire, contou que a Mostra tem representado um grande aprendizado para o Estado, uma vez que este tem se unido cada vez mais à classe artística e aos setoriais organizados. “A Boca de Cena tem sido uma verdadeira escola prática para nós da Fundação de Cultura do Estado, temos avançado quando nos propomos a trabalhar juntos e é assim que deve ser. Teatro é relacionamento, com a gente mesmo, com o outro e com todo Universo em torno da gente”, afirmou Andréa.

Este ano a Mostra Sul-Mato-Grossense de Teatro e Circo conta com a participação de 15 municípios do Estado, além de Campo Grande. São eles: Amambai, Ponta Porã, Corumbá, Rio Verde, Casa Verde, Três Lagoas, Nova Andradina, Ladário, Naviraí, Dourados, Rio Brilhante, Bataiporã, Fátima do Sul, Jardim e Ivinhema. Já para as apresentações, estão selecionados a Cia Theastai, de Dourados e a Cia Maria Mole, de Corumbá.

Representando Amambai, a professora e artista Alessandra Tavares rebateu alguns argumentos dos presentes de que a educação tem estado longe do meio cultural. “Não é sempre que se fala de cultura e educação juntas, é um privilégio estar aqui no meio de importantes fazedores de cultura, mas afirmo que ao menos na minha cidade, só conseguimos trabalhar com o teatro e outras artes com o apoio indispensável da secretaria de educação. Foi dentro das escolas que comecei a fomentar o teatro e assim a formar público em Amambai, onde fizemos até mesmo oficinas voltadas para professores. Essa união é indispensável”, objetou Alessandra.

Especialista em abordar a criatividade cênica para a primeira infância, especialmente para crianças de 0 a 3, a atriz Clarice Cardell se emocionou ao notar a sensibilidade dos participantes que atuam no campo da dramaturgia local. “As crianças nascem cidadãs, elas não são objetos, elas tem consciência, até mesmo os bebês, acredite ou não. Trabalhamos desde o ano 2000 com crianças de 0 a 3 e descobrimos que eles têm uma profunda capacidade poética, é o publico mais potente que encontrei em toda a minha vida. Usando o conhecimento, com eles podemos fazer uma revolução”, ensinou.

Completando a fala de Clarice, a presidente do FESC, Fernanda Teixeira lembrou também das principais classes atingidas pela desumanização: “Este é um importante encontro, pois aqui fazemos a discussão do quanto nossa arte pode nos humanizar. Aqui nos lembramos dos negros, dos homossexuais, dos indígenas, mulheres e toda minoria oprimida. Podemos e devemos provocar essas discussões e o tema de hoje, que é a infância, não poderia ser melhor, é na criança que devemos começar a plantar os verdadeiros conceitos de humanização através do meio cênico e todas as áreas da cultura”, relembrou Fernanda.

Há 30 anos trabalhando com teatro infantil em Campo Grande e no interior do Estado, o ator Jair Oliveira, diretor do grupo Unicórnio, homenageado este ano pela Boca de Cena, enfatizou a relevância que o teatro tem principalmente na conjuntura em que se encontra o quadro político no país. “Do jeito que andam as coisas no meio político hoje, nosso papel vem muito mais no sentido de conscientizar e formar público do que apenas entreter”, acentuou. Para terminar, Jair brincou com o tempo e disse que quase não havia notado que já se passaram 30 anos. “Passou muito rápido que quase não notei, afinal, fazemos tudo por prazer, com alegria de montar espetáculo, assim você não vê o tempo passar. Minha mãe me disse que é hora de me aposentar. Melhor nem tentar explicar a ela que com o teatro não é bem assim”, brincou o diretor.

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(Fotos: Edemir Rodrigues)